
Artur Carvalho/TSF
E de coragem, e de determinação. Tânia é o nome da protagonista principal desta história. Tem 16 anos e sofreu um grave acidente de viação que a pôs, já passaram dois meses, no hospital de S. João. Para além da recuperação das mazelas físicas, agora ela tem outra atividade: estuda e acompanha à distância algumas aulas da turma dela, na Escola Secundária de Lousada.
Beneficia assim do sistema instalado pela multinacional Samsung na ala de pediatria do hospital. Ontem foi dia de tirar dúvidas sobre a matéria de Biologia do 11º ano. A Tânia no hospital, do outro lado, em Lousada, o professor Diogo.
«Olá, professor! Que saudades de ter aulas de Biologia!», diz ela quando a ligação é estabelecida. O plano do dia é tirar dúvidas sobre uma ficha de trabalho que Tânia fez nos últimos dias. Há perguntas sobre ADN, enzimas, e outros assuntos.
«Ela teve aqui algumas dúvidas, se o professor lhe poder dar uma ajudinha...», diz Nuno Rodrigues, que está sentado ao lado da adolescente, em frente ao ecrã, na sala de aulas da ala de pediatria.
Ele é um dos professores que ajuda as crianças e jovens internados no hospital a manterem-se , dentro do possível, a par da escola. Nuno Rodrigues diz que a condição delas impõe alguma adequação de quem ensina, mas que não há condescendência.
«Enquanto que na escola a educação está em primeiro, aqui a saúde é a prioridade. Temos de levar em conta que estas crianças não estão a 100%, como aconteceria numa situação normal. É preciso atender às circunstâncias em que se encontram, mas isso não quer dizer que sejamos condescendentes», explica.
Na sala também está a professora Maria josé Silva. O projeto, agora reforçado com o material disponibilizado pela Samsung, arrancou em setembro no S. João. A docente diz que tem sido uma experiência muito positiva, as crianças são fantásticas: «Porque, apesar do problema de saúde com que vivem, mesmo assim tem vontade de estudar, querem os livros, querem os professores».
A sessão de tirar dúvidas à distância continua. A certo passo, Tânia diz com evidente satisfação que se lembra da matéria de uma outra ficha, a primeira do ano letivo, que ainda fez, lá, na escola em Lousada.
Neste caso lembra-se, mas nem sempre é assim. O acidente também deixou como mazela um problema de memória. Mas ela não está pelos ajustes. É firme na garantia, isto não fica assim: « A memória não está aqui, mas tem de se lutar. Há-de voltar!».
O professor Diogo está quase a dar por terminada a explicação, já respondeu às perguntas que a aluna distante tinha para fazer. Hoje foi assim,só a dois, mas também há aulas com a turma inteira a que a Tânia assiste. Estar assim, longe mas tão perto dos amigos, é um grande tónico: «É fantástico! Ajuda-me a ter mais força para ultrapassar estas coisas todas», diz a sorrir.
Nesses dias, em que se liga à sala da turma dela, também mata saudades do namorado, o Tiago. Garante que ele se porta bem, não precisa de "video-vigilância": «Eu confio nele! Vocês estão a rir-se mas é verdade!», atira convicta, "metendo na ordem" os professores.
Um dos visados é Cristina Borges, que completa o trio de docentes que acompanha as crianças e jovens no S. João. Está destacada desde setembro no hospital e anda encantada com a experiência: «É uma coisa que vamos aprendendo, porque eles também nos ensinam a nós. É um desafio diário, até porque temos de abranger matérias e programas desde o primeiro ano ao décimo segundo. Mas é ótimo e está a correr muito bem!».
Sumário, inspirador sumário, fechado. Por hoje está feito.