Lápis "cor da pele"? Que cor, da minha ou da tua?

É uma questão que surge nas aulas de expressão plástica do ensino básico. Para poder responder "à letra", uma loja de materiais de expressão plástica do Brasil criou uma caixa de lápis de cera com doze tons de pele. E já há interessados em Portugal.

A ideia é simples e partiu de uma parceria entre a loja de material artístico Koralle e o Uniafro, um curso de qualificação de professores para o ensino da cultura e História africanas nas escolas da rede pública brasileira, criado ao abrigo da Política de Promoção da Igualdade Racial na Escola.

Os lápis foram criados para que as crianças tenham ao seu alcance cores adequadas para representar a cor da sua pele, a dos seus amigos e familiares. O item faz parte de um kit de material pedagógico com o qual os professores trabalham questões relacionadas com identidade e relações raciais na sala de aula.

«Estamos tendo uma repercussão ótima. As crianças estão amando o material. É uma alegria. Sou professora da Universidade há 20 anos e sempre atuando na prática de ensino, notei que as crianças sempre procuravam aquele lápis rosa como "cor de pele". Aí, durante a segunda edição, eu e um grupo de professoras pensamos que seria interessante criar um material para os professores levarem para sala de aula e trabalharem essa questão» disse Gladis Kaercher, coordenadora do Uniafro, ao Extra.

O parceiro que concretizou a ideia foi a Koralle, que viu também uma oportunidade de negócio fora do âmbito do projeto escolar: «Quando os nossos clientes pedem lápis "cor da pele", a gente sempre brinca "Que cor? Da minha pele ou da tua pele?", porque cor de pele é muito amplo», disse Michele Monteiro, analista de marketing da Koralle. Desde o lançamento online do produto, a empresa tem recebido encomendas de todo o Brasil: «Fizemos para o Uniafro, mas descobrimos que é um mercado muito importante».

Em Portugal a caixa de lápis de cera já despertou o interesse de pelo menos uma escola. Maria João Simal, diretora do Externato Luso-Britânico, em Lisboa, disse à TSF que a escola pretende adquirir algumas caixas para usar nas suas aulas: «É um assunto de que falamos nas nossas aulas, as crianças querem representar-se a si mesmas, os amigos ou a família, e não há cores apropriadas. Somos um colégio com quase 60 anos de vida, com alunos do Nepal, Índia, China, Angola ou Brasil, e tentamos transmitir a ideia da diversidade como enriquecedora. Ter esta ferramenta, por mais pequena que pareça, pode ajudar uma criança em ambiente de sala a sentir-se mais integrada, e a abrir os seus horizontes para além do papel.»

A caixa de lápis de cera com doze tons de pele tem potencial para responder às necessidades das escolas, cada vez mais atentas à integração multirracial. Gladis Kaercher espera conseguir que o kit seja distribuído em todas as escolas públicas do Brasil já no próximo ano.

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