Justiça

Mudar ou não a hora? Há cem anos um português resolveu atrasar o relógio da vila

Henry Nicholls/Reuters

Em 1916, em Monforte, um homem foi acusado de abuso de poder por mudar a hora do relógio público.

Enquanto pela Europa se discute por estes dias o fim da mudança de hora, em Portugal, há mais de cem anos, já um homem se antecipara à ideia.

Chamava-se Júlio de Sousa Bagorro e foi chamado à justiça por mandar atrasar o relógio público da vila de Monforte, em outubro 1916. Era então chefe de secretaria da câmara municipal e foi acusado de "invasão de atribuições e abuso de poder".

A hora legal acabou por ser reposta, mas o certo é que, durante algum tempo, Monforte teve uma hora a menos do que o resto do país.

Já este domingo, Portugal vai adiantar os relógios uma hora, dando início ao horário de verão.

No continente e na Região Autónoma da Madeira, à 01h00 os relógios devem ser adiantados 60 minutos, passando para as 02h00 e na Região Autónoma dos Açores, a mudança será feita à meia-noite, 00h00, de domingo, passando para a 01h00.

A hora legal volta a mudar a 27 de outubro, marcando a mudança para o regime de inverno, atrasando os relógios uma hora.

O Parlamento Europeu pronunciou-se a favor da proposta de fim da mudança de hora bianual, mas apenas em 2021, e não já este ano, como propunha inicialmente a Comissão Europeia. Caberá a cada Estado-membro decidir se quer aplicar a hora de verão ou a hora de inverno, mas os países da União Europeia deverão coordenar entre si a escolha das respetivas horas legais, de modo a salvaguardar o bom funcionamento do mercado interno, e notificar essa decisão a Bruxelas até 1 de abril de 2020.

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Carolina Rico