Política

O exército dos partidos está a diminuir

Global Imagens (arquivo)

Há menos militantes nos partidos, porque há mais alternativas à participação cívica e há menos interesse na política.

A frase "os partidos são os militantes ", está a perder significado.

Os militantes partidários são cada vez menos, e o "exército silencioso", como muitos chamam aos militantes, decidem cada vez menos.

As guerras políticas decidem-se nos terrenos mediáticos, e o novo papel dos militantes ainda está a ser configurado.

A diminuição dos militantes é uma tendência internacional.

A investigadora e professora de ciência política, Paula Espírito Santo, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da Universidade de Lisboa, desenvolve uma investigação sobre a militância partidária em Portugal, num trabalho conjunto com o investigador Marco Lisi.

Nesse trabalho, definiu o retrato dos militantes dos partidos, que são maioritariamente "homens, entre os 35 e os 74 anos, com qualificações académicas elevadas e com atividade profissional".

Ela considera que há hoje, na sociedade civil, diversas alternativas para a participação dos cidadãos, que que o coloca próximos da politica.

Além disso, "a política interessa a poucas pessoas".

A investigadora diz que, do total de filiados nos partidos, os militantes ativos - os que dão tempo ao partido - não ultrapassam os 20%.

"Os dois grandes motores de filiação partidária, são a base ideológica e os incentivos materiais", diz Paula Espírito Santo.

De forma detalhada, a professora de ciência política diz que os incentivos materiais podem significar contactos profissionais ou de negócios, valorização dos rendimentos, ou trabalhos.

Nuno Domingues