Sociedade

Caos nos aeroportos: aumento de turismo não explica tudo

Manuel Almeida/Lusa (arquivo)

Falta de mão de obra, diferentes procedimentos em relação à Covid-19 e falta de tecnologia mais avançada para rastreio dos passageiros podem explicar os atrasos, cancelamentos e longas filas de espera.

Os fatores que estão a causar a confusão a que se tem assistido nos aeroportos são vários e não se devem apenas à vontade das pessoas voltarem a viajar. Na opinião do presidente do Turismo de Portugal, há inúmeros constrangimentos a ter em conta. "Há as questões relacionadas com a falta de mão de obra nos aeroportos e tudo o que anda à volta, como processamento de bagagens, check-ins, etc.", refere Luís Araújo.

Há igualmente, de acordo com o dirigente do Turismo, "muita indefinição à volta das regras em relação à Covid" nos diferentes aeroportos. Essa situação "causa prejuízos e incómodos a quem entra nos aeroportos europeus". "É um conjunto de fatores que prejudica a imagem do destino Europa", acrescenta.

Luís Araújo explica que os procedimentos nos aeroportos europeus em relação à Covid são uma questão que tem sido discutida a nível dos organismos da aviação e do turismo. "Já pedimos várias vezes à ECDC [Centro Europeu de Controlo de Doenças] que emitisse indicações em relação a esta fase (...) porque isso gera indefinições da parte do consumidor, principalmente aqueles que vêm dos mercados de longa distância", como sejam os Estados Unidos ou Brasil.

O presidente do Turismo de Portugal explica também que estão em estudo uma série de procedimentos para que deixem de se verificar as confusões a que se têm assistido e que os aeroportos nacionais deixem de ser um mau cartão de visita à entrada do país. "A curto prazo, os planos de emergência para eliminar ao máximo as restrições e facilitar o acesso, e a longo prazo a aposta na tecnologia, biométrica, eliminação de procedimentos, etc.", conclui.

O Turismo de Portugal tem "bons indicadores do ponto de vista da procura e de conetividade aérea" para 2022 e a estabilidade nos aeroportos é fundamental. "Dos turistas estrangeiros, 90% vêm de avião, por isso é importante percebermos que isso é essencial para a retoma que todos queremos." Em relação às expetativas para este ano turístico, Luís Araújo adianta que a previsão é chegar a 80 a 85% dos números de 2019, "o que já é muito bom", adianta. O ano de 2023 será aquele em que serão atingidos novamente os máximos de 2019, considerado o melhor ano para o turismo português.

Antigo presidente da ANAC fala em "má gestão" no aeroporto de Lisboa

"O que acontece é que se põem voos de longo curso do Brasil, Estados Unidos, de uma série de sítios e a gestão de slots no aeroporto de Lisboa tem de ter isso em conta", afirma José Queirós. O antigo presidente do Instituto Nacional de Aviação Civil assinala que o aeroporto não pode autorizar a aterragem de voos de longo curso com muita proximidade no tempo. As pessoas "afunilam numa sala com guichés para verificação da legalidade no desembarque e isso dá numa acumulação enorme".

Para José Queirós, a entidade de aviação civil devia ter uma palavra a dizer no que está a acontecer. "De quem ouço falar menos nestas polémicas todas é na aviação civil", lamenta. "Dá-me ideia de que há muita gente a mandar e muitas coisas a dependerem de membros do Governo, o que é péssimo", acrescenta.

Confusões e cancelamentos também nos aeroportos do Reino Unido

Os constrangimentos têm sido também uma constante nos aeroportos britânicos e holandeses. No Reino Unido são constantes os cancelamentos de voos, os atrasos ou as longas filas de espera.

Em Portugal, o Algarve é o destino por excelência dos britânicos, mas por enquanto o aeroporto da capital algarvia raramente tem assistido a cancelamentos. No entanto, os voos chegam tarde e muitas vezes em cima uns dos outros.

"Há atrasos de voos, que se concentram todos à mesma hora de chegada, sobretudo no período perto do encerramento do espaço aéreo, entre as 23h00 e a meia-noite", refere o presidente do Turismo do Algarve.

João Fernandes acrescenta que "felizmente o aeroporto e o SEF têm estado a trabalhar para escoar rapidamente os passageiros pela fronteira".

"No Algarve, os tempos de espera são menores do que os de outros aeroportos concorrentes da bacia do Mediterrâneo", garante.

Maria Augusta Casaca