Mundo

Amnistia lamenta perda de vidas civis em Gaza. "Estamos a ver crimes de guerra de ambos os lados"

Faixa de Gaza Mahmud Hams/AFP

Pedro Neto apela à intervenção da comunidade internacional e das Nações Unidas.

O diretor-executivo da Amnistia Internacional Portugal acusa tanto a Palestina como Israel de estarem a cometer crimes de guerra. Em declarações esta segunda-feira no Fórum TSF Pedro Neto fala em ataques contra civis perpetrados pelos dois lados do conflito.

O Hamas "ataca civis desarmados" e envia rockets para Israel. "Em retaliação, o governo israelita ataca a Faixa de Gaza dizendo que ataca alvos do Hamas. No entanto, a Faixa de Gaza é uma prisão a céu aberto, onde vive mais de um milhão de pessoas e é impossível atacar um edifício do Hamas sem atingir civis", explica.

"Se há lado do qual temos que estar é o lado da proteção aos civis, sejam eles israelitas, sejam eles palestinianos (...) Qualquer ataque a civis é um crime de guerra e estamos a ver crimes de guerra acontecer de ambos os lados."

Pedro Neto apela à ação da comunidade internacional para travar a escalada de violência.

"Este assunto é cíclico, estamos sempre a voltar a ele, e infelizmente desta vez com muitas razões de preocupação maior, por causa da rápida escalada dos acontecimentos. E, claro, a comunidade internacional deve preocupar se deve intervir", defende.

A Amnistia Internacional lançou já "um apelo a que as partes envolvidas, tanto o Hamas como o governo Israelita se abstenham de escalar a violência a um nível tal que já está a afetar muitos civis de um lado e do outro".

A Organização das Nações Unidas não tem sido capaz de encontrar soluções para o conflito israelo-palestiniano, pelo qual é responsável, lamenta o diretor-executivo da Amnistia Internacional Portugal.

"As Nações Unidas começaram este problema há várias dezenas de anos quando implementam o Estado de Israel num território onde já viviam pessoas. Foram cândidos para não perceber que isso ia causar problemas."

E por isso mesmo o secretário-geral das Nações Unidas e " uma força de intervenção de paz" devem assumir tanto um papel de "influência diplomática", como agir através de "intervenção e presença no terreno", defende o Pedro Neto.

Pelo menos 1100 israelitas e palestinianos morreram desde a madrugada de sábado, incluindo crianças e pelo menos 260 jovens de várias nacionalidades que participavam num festival de música no deserto.

Manuel Acácio com Carolina Rico