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Ataque a hospital em Gaza. "Míssil da Jihad Islâmica parece ser uma ideia bastante consolidada"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho André Kosters/Lusa

"É uma situação absolutamente trágica", lamenta João Gomes Cravinho.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, considera que a versão de Israel sobre a atribuição do ataque ao hospital à Jihad Islâmica começa a consolidar-se.

"Obviamente que já ouvimos várias acusações em relação a quem poderá ter tido a responsabilidade. Ouvimos explicações muito detalhadas esta manhã por parte das Forças Israelitas de Defesa", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros a propósito da "a situação absolutamente trágica".

Sem outros elementos disponíveis, João Gomes Cravinho, considera que a informação veiculada pelas forças armadas israelitas começa a ganhar credibilidade.

"Não temos informações próprias nossas, no entanto, a informação de que poderá ter sido um míssil da jihad islâmica parece ser uma ideia bastante consolidada", considerou o ministro português dos Negócios Estrangeiros, frisando, por outro lado, que "não tem conhecimento de nenhuma informação concreta em relação à possibilidade de ser um míssil israelita".

"É evidente que aquilo que se passou no hospital é uma consequência da conflagração com os massacres perpetrados pelo Hamas, os ataques terroristas da semana passada", afirmou, lembrando que "aquilo que nós [o governo de Portugal] temos vindo a dizer é que as forças israelitas têm o direito e eu diria o dever, de eliminar a ameaça militar".

João Gomes Cravinho falava ao início da tarde desta quarta-feira, em Namur, na Bélgica, à margem da visita de Estado que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa realiza esta semana.

Marcelo Rebelo de Sousa também se pronunciou sobre o ataque ao hospital em Gaza, considerando que a prioridade, nesta fase, é lamentar a perda de vidas humanas.

"A realidade que verdadeiramente no choque e chocou a todos, e provavelmente foi um choque universal, é que tem a ver com a situação dessas vítimas, ainda por cima aparentemente muito numerosas, vítimas civis, daquela atuação", lamentou Marcelo Rebelo de Sousa.

"Outra coisa, é, sobre essa matéria, haver várias versões e vários pontos de vista. E isso é um segundo plano, que é o plano da responsabilização, de saber quem é que de facto é responsável por aquilo que aconteceu, tenha sido intencional ou tenha sido não-intencional, tenha acontecido involuntariamente", sublinhou, considerando, porém, que "a segunda parte não afasta a primeira".

"O nosso primeiro pensamento vai para as vítimas daquilo que ocorreu, como foi, por exemplo, quando também aconteceram bombardeamentos a estabelecimentos de saúde, com vítimas civis, na Ucrânia", vincou.

João Francisco Guerreiro, correspondente em Bruxelas