A Airbus anunciou a recolha de aproximadamente seis mil aviões A320 para a substituição urgente do software de controlo de voo, vulnerável à radiação solar, após um incidente no final de outubro nos EUA
A TAP garante que tem alternativas aos aviões da família A320 que vão ter de atualizar o software, por causa de uma falha grave que pode comprometer a segurança de voo. A companhia aérea portuguesa tem 58 destes aviões e alguns vão ter de fazer essa atualização. Num contacto com a TSF, uma fonte da transportadora explica que esse processo está agora a começar e ainda não é possível dizer quando vai estar terminado. Ainda assim, a mesma fonte garante que não haverá grande impacto para os passageiros, porque há alternativas aos A320.
"Continuamos a acompanhar a situação, toda a frota impactada está a ser atualizada, com impacto reduzido na operação e sem cancelamentos, e sempre tendo como prioridade máxima a segurança de passageiros e tripulações", lê-se numa nota enviada à TSF.
Na sexta-feira, a Airbus anunciou esta sexta-feira a recolha de aproximadamente seis mil aviões A320 para a substituição urgente do software de controlo de voo, vulnerável à radiação solar, após um incidente no final de outubro nos Estados Unidos.
Em comunicado, a fabricante aeronáutica informou que solicitou a todas as companhias aéreas clientes que utilizam este software que "suspendam imediatamente os seus voos" após a análise do incidente técnico.
A empresa reconheceu que "estas recomendações causarão interrupções operacionais para os passageiros e clientes". "Pedimos desculpa pelo incómodo causado e trabalharemos em estreita colaboração com os operadores, mantendo a segurança como a nossa prioridade absoluta e primordial", acrescentou.
À TSF, a TAP garantiu, na sexta-feira à noite, que não foram cancelados voos.
O incidente ocorreu a 30 de outubro, num voo da JetBlue entre Cancún, no México, e Newark, perto de Nova Iorque, quando uma aeronave teve de realizar uma aterragem de emergência em Tampa, na Florida.
A análise do incidente "revelou que a intensa radiação solar pode corromper dados essenciais para o funcionamento dos controlos de voo", informou a empresa europeia.
Para a maioria das aeronaves, a atualização do software da versão anterior demorará "algumas horas".
Mas, para cerca de mil aeronaves, implicará a troca do hardware do computador, "o que levará semanas", revelou à agência France-Presse (AFP) fonte ligada ao processo.
O incidente envolve um dispositivo - ELAC - Elevator Aileron Computer - fabricado pela Thales.
Este fornecedor da Airbus esclareceu à AFP que não era responsável pelo problema: "A funcionalidade em causa é suportada por um software que não é da responsabilidade da Thales", garantiu.
A Airbus não especificou qual a empresa que concebeu e atualiza este software.
O incidente ocorreu durante a fase de cruzeiro quando, sobre o Golfo do México, a aeronave se inclinou subitamente para baixo sem qualquer intervenção dos pilotos.
Os pilotos iniciaram a descida e aterraram a aeronave. Os bombeiros de Tampa relataram aos meios de comunicação norte-americanos que alguns passageiros ficaram feridos.
A JetBlue, contactada pela AFP para comentar o incidente, não respondeu, enquanto a companhia aérea rival American Airlines indicou que já tinha iniciado a atualização do seu software de navegação depois de ter recebido esta sexta-feira a notificação.
Também a rival norte-americana United Airlines afirmou que não foi afetada pelo defeito, sem adiantar mais pormenores, embora opere várias aeronaves A320.
O Airbus A320, que entrou ao serviço em 1988, é a aeronave mais vendida no mundo.
Em setembro, a Airbus destronou o Boeing 737, o jato de corredor único da fabricante norte-americano Boeing, cuja primeira unidade foi entregue em 1968. No final de setembro, a Airbus tinha entregado 12.257 aviões A320 (incluindo versões de classe executiva), em comparação com 12.254 Boeing 737.