Atrasos frequentes, horários desajustados e composições degradadas na linha ferroviária são algumas das queixas dos utentes
Para andar de autocarro ou de comboio entre cidades no Algarve é preciso ter resistência. Na linha férrea, as queixas dos utentes verificam-se há anos. O mau estado das composições, atrasos frequentes e casas de banho das estações e das próprias carruagens sujas são alguns dos problemas apontados. Quem apanha o comboio em Faro até Lagoa, por exemplo, tem de fazer transbordo em Tunes e, muitas vezes, esperar uma hora pelos passageiros do comboio Intercidades que vem de Lisboa.
Nos autocarros, as críticas dos passageiros não são menores. Em Faro, os estudantes universitários e quem trabalha na Universidade e tem de viajar de transporte público são quem mais sofre.
Inês é uma das trabalhadoras que todos os dias se dirige ao Campus de Gambelas (fora da cidade de Faro) de autocarro. Uma tarefa com desfecho sempre imprevisível. "É ir para a paragem e esperar que algum passe. E muitas vezes vão cheios e temos de esperar pelo próximo, que também pode vir cheio", lamenta. "É impossível não ter carro no Algarve", assegura, em declarações à TSF.
"Se para nos deslocarmos dentro de Faro já não nos conseguimos fiar no autocarro, então entre cidades algarvias muito mais difícil será", preconiza. Essa experiência é vivida diariamente por Mariana. Chegou de França há pouco tempo, também estuda na Universidade do Algarve, mas mora em Loulé. Os autocarros existentes são incompatíveis com os seus horários escolares. "Se tenho aulas até às 18h00, tenho de sair mais cedo, porque senão só tenho o próximo autocarro às 20h00".
Outro estudante, o Rodrigo, mora um pouco mais longe, em Albufeira. Enquanto falamos, agasalha-se com um capuz na cabeça devido ao muito vento e frio que se fazem sentir na paragem. As queixas sobre os transportes também são muitas. "A nível de horários não são muitos compatíveis com a universidade, atrasos frequentes e frequência de autocarros baixa", diz.
Quem reside nas freguesias rurais de Faro também poucas carreiras tem à escolha. Um aluno menor, que venha para a cidade e não tenha aulas, só tem um autocarro para regressar a casa depois das 14h00.
Já a dona Albina, que vive em Quarteira e raramente apanha o autocarro para Faro, não vê razão de queixa. Veio à capital do Algarve para fazer uns exames médicos. "O autocarro pára mesmo à minha porta. É só sair", garante.
São, no entanto, poucos os utentes frequentes que tecem elogios aos autocarros existentes. Que o diga Luna. Por falta de carreiras constantes para chegar ao restaurante onde trabalha em Almancil, Luna tem que sair duas horas mais cedo de casa, em Faro, para um trajeto de cerca de meia hora. E à noite, quando regressa, é bem pior. "Eu saio de lá por volta das 23h30, meia-noite, e já não há autocarro para voltar", conta. "Preciso de voltar de boleia com os meus amigos ou de Uber", relata. Com todos os custos que essas viagens implicam.