As causas do acidente ainda são desconhecidas. No terreno, as máquinas trabalham para tentar retirar os vagões que caíram pelo aterro de quatro metros de altura
Poucos instantes depois do acidente que envolveu dois comboios de alta velocidade na zona de Adamuz (Córdoba), em Espanha, o maquinista do comboio Iryo, o primeiro que descarrilou no acidente de Adamuz, ligou para o centro de comando de Atocha para avisar que tinha sofrido um incidente.
"Olá, Atocha, acabo de sentir um solavanco na zona de Adamuz e estou parado", ouve-se na chamada.
Na altura, o maquinista parece não se ter apercebido que os seus últimos dois vagões chocaram com outro comboio, que ia em direção a Huelva. Numa segunda chamada, já fala de um descarrilamento e pede que se pare a circulação ferroviária, mas nem o maquinista nem o centro de comando falam do choque com o outro comboio.
"Olá, Atocha, comunicar que é um descarrilamento e que estou a invadir a via contrária. Repito: descarrilamento e estou a invadir a via contrária. Por favor, parem a circulação", diz o maquinista.
O centro de comando regista o pedido e procede à notificação, mas chega a dizer que não há nenhum comboio a circular em sentido contrário. A ausência de informação neste sentido pode explicar-se pela rapidez do choque. Segundo as informações recolhidas pelos peritos, o embate ocorreu nove segundos depois do descarrilamento.
A rapidez do choque pode ter feito com que o embate tenha sido interpretado pelo maquinista como sendo fruto do próprio descarrilamento e que o centro de comando tivesse pensado que esse comboio já tinha passado e que, portanto, não vinha nenhum outro a caminho.
"Tenho um incêndio também, tenho de abandonar a cabine porque tenho de verificar, tenho um vagão incendiado. Preciso que enviem os serviços de emergência e ambulâncias porque tenho também feridos. Abandono a cabine", são as últimas palavras do maquinista.
O som, retirado da caixa negra do comboio e publicado pelo eldiario.es, vai ser importante na investigação do sucedido. As hipóteses sobre o que pode ter provocado a sensação de "solavanco" que refere o maquinista ainda estão em aberto.
Sabe-se que há uma rotura visível na via que os peritos estão a analisar, mas falta saber se foi essa rotura que originou o descarrilamento, ou se, pelo contrário, aconteceu depois do impacto.
No terreno, as máquinas continuam a trabalhar para retirar os vagões que caíram por um aterro de quatro metros de altura, onde na terça-feira foram retirados quatro corpos. O acidente, que aconteceu no passado domingo, fez pelo menos 42 mortos.