Os desenhos que vão dar origem a um grande painel de azulejos são apresentados esta quinta-feira, no Palácio Anjos, em Algés, concelho de Oeiras
Durante um ano, Graça Morais trabalhou no painel de azulejos que vai nascer junto ao Estabelecimento Prisional de Caxias. Será uma homenagem aos milhares de presos políticos que ali estiveram encarcerados durante a ditadura em Portugal. O convite partiu do presidente da câmara de Oeiras, Isaltino Morais, e Graça Morais confessa à TSF que "foi uma obra muito difícil de realizar", uma vez que sentiu "o peso da responsabilidade de fazer uma obra que comunicasse às pessoas um bocado do sofrimento
de mulheres e homens que durante o tempo da ditadura de Salazar sofreram e com muita coragem lutaram para que fosse possível, um dia, acontecer o 25 de Abril".
Graça Morais faz questão de referir que "a liberdade é uma dádiva" que "todos têm a obrigação de conservar, ser muito exigentes e exigir [mais] dos governantes".
No painel gigantesco, estão representados rostos e cabeças que Graça Morais encontrou ao longo da História da Humanidade, marcada por "ditadores, guerras e pela força dos mais fortes sobre os mais fracos". São rostos simbólicos, em cerca de uma centena de desenhos e um painel de cinco metros e meio por um metro e meio, que vão dar origem a uma pintura em azulejos a ser colocada junto à prisão de Caxias.
Graça Morais assume que "será a última obra pública", porque, aos 77 anos, não pode "ter desafios tão fortes". No entanto, a artista afirma que é uma "obra muito importante na sua vida, que pretendo oferecer à comunidade, para que a comunidade saiba que aquelas cabeças que ali estão sofreram".
"Obrigam-nos a pensar que o ser humano precisa de mais paz para poder rir e para ser mais feliz", sublinha.
O painel de azulejos será inaugurado, simbolicamente, a 25 de Abril, junto à prisão de Caxias, num espaço que a pintora deseja como "um lugar de peregrinação, de encontro e de reflexão, para que nunca mais se viva no país tempos tão tristes e tão sombrios":
"Gostava muito que esta obra simbolizasse, na História humana e na História do nosso país, a passagem da escuridão para a luz", conclui Graça Morais.