No Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro defende que os utentes devem procurar o médico de família sempre que tenham sintomas ou suspeitas, mesmo fora dos rastreios já definidos. "É uma responsabilidade individual e do médico de família", diz Vítor Veloso à TSF
O presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPC) considera que as pessoas devem pedir análises ao médico de família se estiverem com alguma suspeita. Apesar dos rastreios já definidos nos casos do cancro da mama, colo do útero e cancro do colo retal, Vítor Veloso sublinha à TSF que as pessoas "têm direito - e devem - fazer consultas e pedir exames no sentido de, se tiverem qualquer sintoma, qualquer suspeita, qualquer história familiar, detetarem muito antes do cancro aparecer".
"É uma responsabilidade individual e do médico de família e acho perfeitamente razoável pedir e que, efetivamente, elas sejam efetuados", afirma.
O facto de os utentes pedirem estas análises fora dos rastreios estabelecidos pode levar a um crescimento do número de pedidos de exames médicos. O presidente da Liga defende uma reestruturação da saúde em Portugal, porque considera que o Estado deveria apoiar. Reconhece, no entanto, que "não há capacidade", destacando que mais de um milhão e meio de cidadãos não têm médico de família.
"Pretendo que o Serviço Nacional de Saúde seja reforçado com complementaridade, obviamente, com o privado e com o social. É preciso uma reestruturação, reestruturação essa que tem de ir, muitas vezes, contra determinados lobbies, portanto, tem de ser muito resiliente, tem de haver coragem, no entanto, considero que nós estamos a avançar, pouco a pouco, com pequenos passos, mas que estamos a ir no sentido correto", diz.
Esta quarta-feira assinala-se o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro. O cancro do pulmão continua a ser o que mais mata em Portugal. Há também cada vez mais jovens a serem diagnosticados com cancro. Neste momento, cerca de 10% dos doentes oncológicos têm entre 30 e 45 anos. "Não é o grupo etário com maior incidência, mas é um grupo etário que tem vindo a aumentar a sua incidência", adianta. O médico associa este crescimento a hábitos de vida pouco saudáveis, mas também às alterações climáticas, que contribuem para, por exemplo, uma pior qualidade do ar.
Vítor Veloso realça que, em Portugal, cerca de cem mil pessoas são doentes em tratamento ou em fase de diagnóstico. Além disso, a Liga Portuguesa Contra o Cancro conseguiu auxiliar "22 mil agregados familiares" em 2025.