Pacto para a Saúde, um plano nacional de emergência jurídica e uma "posição ativa" em relação ao pacote laboral apresentado pelo Governo são alguns dos pedidos feitos ao futuro chefe de Estado
As ordens profissionais, os sindicatos e as associações esperam que António José Seguro promova consensos em áreas como a Saúde, a Justiça, o pacote laboral ou as Forças Armadas durante os próximos cinco anos.
Os resultados eleitorais de domingo, que elegeram António José Seguro como Presidente da República, foram a debate no Fórum TSF. O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, acredita que o pacto para a Saúde proposto pelo chefe de Estado eleito durante a campanha acontece no momento certo.
"O pacto para a Saúde é um instrumento interessante, porque o pacto para a Saúde não é um plano do Governo. O Presidente da República não governa, mas é mais um mecanismo de compromisso político mais alargado, que vai necessariamente envolver não só os partidos políticos representados na Assembleia da República ou que não estejam representados, mas também a sociedade civil", pede o bastonário.
Carlos Cortes crê que "a tentativa de consenso" é "muito importante", principalmente à volta de "um tema de permanente ataque eleitoral, de estratégia eleitoral".
"Eu penso que é o momento. Espero que este Presidente da República possa promover este diálogo interpartidos para que não estejamos sempre aqui a mudar a orientação da política de Saúde", deseja.
No que toca à Justiça, João Massano, bastonário da Ordem dos Advogados, afirma não ser favorável a pactos, mas pede que a Justiça seja uma preocupação do novo inquilino do Palácio de Belém.
"A nossa Justiça precisa de um Presidente da República que esteja preocupado com as condições de funcionamento da Justiça, preocupado com as condições como a Justiça vai ao cidadão, por exemplo, nesta altura que estamos todos a ver na televisão e infelizmente muitos de nós a sentir nas suas próprias vidas os efeitos dos temporais", exemplifica.
Para João Massano, "era muito importante que o país tivesse estabelecido já um plano nacional de emergência jurídica que permitisse, em casos como este, as pessoas já saberem os seus direitos e saberem a quem recorrer para poderem fazer valer esses direitos".
Por isso, o bastonário da Ordem dos Advogados aponta para a frente: "Há muito a fazer, mas eu creio que a presença do senhor Presidente eleito, ele falar das causas e estar ao lado das pessoas nessas causas, poderá ajudar muito a nossa Justiça a funcionar melhor."
Um dos temas muito presentes ao longo dos últimos meses e que entrou com força na campanha eleitoral foi o pacote laboral apresentado pelo Governo e que mereceu uma greve geral em dezembro. António José Seguro garantiu que, tal como está, o plano do Executivo não irá passar e a CGTP conta com isso.
"Aquilo que a CGTP espera é que António José Seguro veja aquilo que este Governo não conseguiu ver. Os trabalhadores deram uma grande resposta de rejeição ao pacote laboral na greve geral que se realizou em dezembro do ano passado. E este pacote laboral, tudo aquilo que vem trazer, é o pior para o mundo do trabalho", aponta Tiago Oliveira, secretário-geral da central sindical.
Assim, o sindicalista quer que o novo chefe de Estado se involva no processo: "Aquilo que a gente espera de António José Seguro, sabendo ouvir e tendo a capacidade de leitura daquilo que é o sentimento da sociedade relativamente ao mundo do trabalho, é que tenha uma voz ativa, que tenha uma posição ativa. Aliás em respeito por aquilo que vai fazer no próximo dia 9 de março."
A UGT também foi convidada, mas recusou participar no Fórum TSF.
O cargo de Presidente da República, que António José Seguro vai ocupar nos próximos ano, também é o de comandante supremo das Forças Armadas. O próximo Conselho de Estado será dedicado à Segurança e Defesa e já terá o novo Presidente em funções.
"A Associação de Oficiais das Forças Armadas tem a sua intervenção fundamentalmente orientada e focada no respeito e na defesa da condição militar, nos direitos e nos assuntos de natureza sócio-profissionais dos militares das Forças Armadas e, em particular, dos oficiais das Forças Armadas. Como tal, desejamos que o futuro Presidente da República contribua consubstanciadamente para o reforço e consolidação desses objetivos, sem reservas e sem preconceitos", afirma o comandante Marques Rodrigues, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas.
Assim, a associação espera ser ouvida para a ajudar: "Do Conselho de Estado, que é orientado para questões de Defesa e Segurança, eu diria que para nós é importante que o senhor futuro Presidente da República faça esta reunião, porque nós temos um conjunto de preocupações de natureza interna e externa nestas áreas e, de certo, servirão para poder alinhar e elucidar sobre a sua ação e intervenção."