Economia

Setor da hotelaria e turismo tem em curso levantamento de prejuízos com tempestades

Paulo Cunha/Lusa

"Já está a ser feito um levantamento", garante a vice-presidente da Associação de Hotelaria de Portugal

A contabilização dos estragos do impacto do comboio de tempestades ainda está a ser feita, mas num encontro com jornalistas de apresentação do Congresso do setor que começa esta tarde, na Alfândega do Porto, Cristina Siza Vieira, a vice-presidente da Associação de Hotelaria de Portugal, anunciou que foi lançado um inquérito aos seus associados para apurar prejuízos das últimas tempestades, entre outras medidas.

"Já está a ser feito um levantamento. Nós lançamos um inquérito a todos os nossos associados, com três pontos. O primeiro, para nos darem um diagnóstico sobre qual o tipo de danos que têm. O segundo, sobre quantas pessoas já estavam a acolher, e o terceiro, para mostrarem a sua disponibilidade para integrarem o programa "O Turismo Acolhe", lançado pelo Turismo de Portugal."

Por enquanto, o primeiro levantamento de danos ainda está e estará a decorrer, mas a AHP assegura que, muito antes deste programa, lançado há 2 dias, já a hotelaria, nas zonas afetadas pelas tempestades, estava a acolher pessoas. Numa primeira fase, acolheu os seus trabalhadores e alguns hotéis, nalgumas destas zonas, mesmo em época baixa, abriram portas expressamente, para o efeito.

Cristina Siza Vieira acrescenta que, na região de Fátima, muitos grupos hoteleiros, que estavam fechados por falta de reservas, tiveram a visão de abrir, de propósito, para acomodar os seus trabalhadores e cabe agora fazer o levantamento total de danos e de necessidades, através da manifestação de interesses, no inquérito da associação.

Para além do programa "O Turismo Acolhe", Bernardo Trindade, presidente da Associação de Hoteleiros de Portugal, revela total empenho e envolvimento da AHP na resposta às populações e deixa a porta aberta a novos apoios nas zonas afetadas, se as atuais medidas não chegarem para responder a necessidades.

"Este diálogo permanece e a nossa disponibilidade, como agentes do setor, é precisamente estar e argumentar positivamente em prol desta manifestação."

Já Luís Pedro Martins, o presidente da Entidade de Turismo Porto e Norte, que acolhe como anfitrião o Congresso do setor, na Alfândega do Porto, até sexta-feira, assegura não ter registo de prejuízos na região, mas admite que noutras regiões vizinhas existem danos de quem exerce qualquer tipo de atividade turística. Adiantou que "até há poucas horas atrás, enviámos um email para os nossos autarcas, que são 86 municípios e que fazem parte da entidade regional, também associados, a pedir exatamente esse levantamento, mas até ao momento não temos qualquer reporte na região do Porto e Norte, mas existem noutras regiões, nomeadamente no Centro e Alentejo.

Bernardo Trindade recordou ainda que o impacto do comboio de tempestades ainda não terminou, porque os fenómenos climáticos continuam a afetar o território e há que aguardar pelo levantamento final. Para já, a situação de calamidade em boa parte do território nacional marca o arranque do Congresso do Turismo e Hotelaria na alfândega do Porto, com a promessa de empenho do setor na ajuda às populações e trabalhadores hoteleiros, tal como fez durante a pandemia.

Há uma semana, na região centro do país, alguns grupos hoteleiros reportaram prejuízos avultados, superiores a 9 milhões de euros, na sequência da tempestade Kristin, depois do impacto dos incêndios do último verão, numa altura em que recuperava do desafio da pandemia de COVID-19.

Só na Nazaré, a terra das ondas gigantes, as intempéries causaram danos avultados, com prejuízos totais, incluindo infraestruturas municipais, a ultrapassar os 15 milhões de euros.

A atividade turística tem vindo a recuperar e no último ano registou receitas recorde de 29,4 mil milhões de euros proveniente do aumento do numero de hóspedes. A recuperação foi, em parte, impulsionada pelo aumento dos preços dos serviços de hotelaria e restauração, mas os eventos climáticos recentes demonstram que o setor continua vulnerável a choques externos.

Ana Maria Ramos