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Prato do Dia: Cacho d'Oiro, no Peso da Régua

Cacho d'Oiro Créditos: DR

O restaurante Cacho d"Oiro é, há mais de três décadas, o meu lugar de eleição no Peso da Régua. Ana Maria e Avelino são um casal muito especial, com a restauração como paixão primordial. Começaram em 1987 e assentaram praça na Régua em 1992. Visito-os com muito gosto há quase três décadas. Curiosamente, era nos anos 90 um excelente ponto de encontro com os produtores durienses. A comida foi sempre boa e hoje a casa serve com requinte e garbo todos os que se sentam às suas mesas.

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Os pratos de peixe contemplam um excelente bacalhau com broa, regado por maravilhoso azeite virgem extra. Os filetes de polvo com arroz do mesmo continuam fantásticos. E produz-se uma massada de bacalhau que não tem rival em parte alguma.

Os pratos de carne são igualmente tentadores. O cabrito assado no forno é fortemente identitário daqui e de toda a região duriense. Faz-se uma vitela assada que nos põe em estado de suprema felicidade. Tenríssima, acompanhada de batatas assadas. Há sempre picanha no espeto, uma peça que nos anos 90 estava ainda a chegar do Brasil e hoje tornou-se parte da dieta diária dos amantes da boa mesa. E há um excelente bife na pedra, com pedaços ultraselecionados sacrificados na pedra quente que dura a refeição inteira. Vale a pena tomar nota dos pratos servidos ao longo da semana como especialidade do dia.

À segunda, encontra lombinhos de bacalhau com arroz de feijão. Confesso a minha devoção para com esta pérola da cozinha regional, tempero e mão conduzem até perto do paraíso. Além disso, o encontro de texturas é perfeito.

Terça é dia de cozido à portuguesa. Os enchidos são a alma do prato e só com legumes muito bons é que a receita funciona devidamente. As carnes são primorosamente tratadas pelo fogo do Cacho d"Oiro. Não pode deixar de provar.

À quarta há tripas à moda da casa e aqui são dignas de antologia culinária à parte. À quinta produz-se um maravilhoso arroz de pato, finalizado no forno e servido em travessa bem quente. À sexta há uma excelente feijoada à transmontana, quando já se adivinha o final da semana.

Sábado e domingo são dias de cabrito assado e as famílias locais encaminham-se em romaria para se sentar à mesa neste restaurante único.

Para terminar docemente a refeição, opte pelo bolo de bolacha. É muito bem feito e come-se sem parar. O leite-creme torrado é de craveira semelhante e há outras gulodices para nos rendermos. O Cacho d"Oiro é lugar a que voltamos sempre, muitas vezes.

Fernando Melo