Política

BE quer leque da desigualdade salarial mais fechado

Lusa/Paulo Nova

O Bloco de Esquerda defende um limite para a desigualdade salarial dentro das empresas e considera que é um "mito urbano" que tenha havido criação de emprego.

Já em relação à política de estágios seguida pelo governo, Catarina Martins afirma que se trata de uma "máquina de exploração laboral" e como proposta, o Bloco de Esquerda quer que só as empresas que contratem 50% dos seus estagiários possam aceder ao financiamento.

Portugal é dos países com maior desigualdade salarial, a diferença chega a ser de 30 vezes entre salários mais altos e salários mais baixos dentro da mesma empresa.

"Algum de nós acha aceitável que uma pessoa ganhe num mês o mesmo que o trabalhador da mesma empresa ganha num ano inteiro? E isso seria limitar o leque a doze, ou seja, nem sequer a dez como na Alemanha", disse Margarida Martins.

Ainda no setor do trabalho, a líder do Bloco de Esquerda, refere que é um "mito urbano" que o governo tenha criado mais emprego e defende que o Estado paga para que as empresas usem e descartem os estagiários.

"Não podemos é ter uma política de estágios, que é uma máquina de abuso e exploração sobre as pessoas, por isso o que propomos é que nenhuma empresa possa ter acesso a um programa de estágios se não tiver contratado, pelo menos, metade dos estagiários que integrou", defende.

Para a Saúde, o Bloco de Esquerda propõe o regresso da exclusividade para o serviço público por parte dos médicos recém formados.

A bloquista criticou ainda a aposta do governo no ensino dual. "Esta ideia de que uma criança com 12 anos, que reprovou duas vezes na escola, não tem nada a ver com o dar, nem com valorizar a formação profissional, nem com o dar uma possibilidade de futuro a essa criança, mas sim criar maior desigualdade salarial e voltar ao trabalho infantil", diz.

Estado Social, Justiça, Igualdade e combate ao crime económico são o mote do Manifesto do Bloco de Esquerda para as próximas legislativas. O líder parlamentar Pedro Filipe Soares disse que o documento terá como palavras-chave "justiça e respeito", e como prioridade "criação de emprego e devolver tudo o que a austeridade retirou às pessoas".

A encerrar a Conferência Nacional do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza mostrou a solidariedade do partido com a Grécia e lançou o repto aos militantes para que marquem presença na manifestação de amanhã em Lisboa.

Miguel Midões