Política

"Não aceito que o PSD seja muleta do PS"

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Na entrevista TSF/DN, Marco António Costa espera que Rui Rio não caia no canto da sereia que António Costa tem procurado lançar-lhe. O deputado diz que o PSD deve liderar uma solução.

Espero que Rio não caia no canto da sereia de Costa

Espero que o Dr. Rui Rio não caia no canto da sereia porque, objetivamente, aquilo que o Dr. António Costa tem procurado fazer é lançar um canto de sereia. Espero estar enganado porque seria bom, volto a sublinhar, que o país atingisse consensos - que nós procurámos durante os dois anos em que o Dr. Passos Coelho esteve a liderar o PSD a partir de 2015 - que fossem positivos para o país.

Passa-lhe pela cabeça que Rui Rio não chegue às legislativas de 2019?

Essa hipótese não admito porque espero obviamente que o Dr. Rui Rio seja candidato em 2019 e que vença as eleições, que seja primeiro-ministro.

Não aceito que o PSD seja muleta do PS

Eu desejava que o meu partido liderasse uma solução e não quero aceitar como base de partida que o PSD se coloque na posição de muleta do PS. O que eu acho que o Dr. Rui Rio disse com toda a clareza nos últimos dois meses - no congresso, fora do congresso, nas reuniões com os senhores deputados, nas intervenções que teve - foi que tinha a ambição de liderar futuramente um governo, e se o PS quiser, desta vez, aceitar aquilo que não aceitou quando nós, em 2015, lhe propusemos uma solução alargada de governação...

Eu acho que o bloco central é uma solução sempre arriscada porque permite uma certa erosão do sistema político-partidário, mas por vezes é uma solução indispensável, até para que se construam bases suficientemente amplas de consenso para reformas que são fundamentais.

O CDS pode crescer? O PSD que tenha juizo

Cada um tem direito a ter a ambição de querer crescer e os outros têm a obrigação e se afirmarem para continuarem a merecer a confiança dos portugueses. Portanto, não há partidos donos do sistema, quem julga que é dono do sistema pode acabar despojado daquilo de que julga que é proprietário. É preciso muito juízo, muita capacidade de analisar com frieza a realidade. Julgo que o Dr. Rui Rio quando fala do processo de reforma interna do partido, da criação dos grupos de debate interno por áreas temáticas, quando fala da necessidade de ter porta-vozes para diferentes áreas, é numa tentativa de reforma interna do partido que visa exatamente oferecer aos portugueses um espaço de cativação e de afirmação de um partido que se está a modernizar e que está a procurar abrir-se ao exterior, à sociedade civil e, com isso, evitar qualquer erosão que possa vir a ser perigosa para o PSD.

Fiquei incomodado com a forma como Fernando Negrão foi eleito

Incomodado fiquei porque, obviamente, como deputado desejava que o meu partido não fosse sujeito a esta circunstância. Acho que não foi positivo, mas é passado, não vale a pena falarmos mais sobre isso, já se falou. Legitimamente, os senhores jornalistas colocam as questões e a mim não me interessa estar a recalcar questões que pertencem ao passado, o que me interessa é que, depois disso, já há provas inequívocas - pela forma como decorreram as reuniões do grupo parlamentar, por duas ou três vezes - de que há um crescimento da harmonia interna do grupo parlamentar.

Anselmo Crespo e Paula Sá