
Reinaldo do Rodrigues (arquivo)
Os jovens que nasceram entre 2007 e 2008 já podem pedir o cheque-livro de 30 euros. Miguel Pauseiro sublinha que ler promove pensamento crítico e prepara os cidadãos para uma participação ativa e informada na democracia, mas aponta alguns aspetos a melhorar no apoio do Governo
O presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) diz que a decisão do Governo em avançar novamente com o cheque-livro é de "enaltecer", mas sublinha que o valor ainda "é insuficiente".
"Devemos enaltecer a decisão do Governo em avançar para esta segunda edição do cheque-livro. Desde 2022 que a APEL tem defendido a importância de termos uma medida como esta", sublinha Miguel Pauseiro à TSF.
Ainda assim, o presidente da APEL volta a destacar que gostava que o valor fosse outro: "É público que a APEL tem defendido o valor de 100 euros, e este valor é um valor que significaria que os jovens deveriam ler pelo menos seis livros por ano. Mas vamos ser práticos neste momento. A decisão do Governo em avançar para 30 euros (...) para nós ainda é insuficiente, [mas] é um primeiro passo."
O presidente da APEL também gostava que a iniciativa chegasse a mais idades. "Naturalmente que não podemos olhar só para quem tem 18 anos ou para quem completará 18 anos em 2026, mas temos de começar para algum lado", afirma.
Miguel Pauseiro alerta ainda para "algumas livrarias" que podem "não conseguir descontar o cheque-livro já a partir desta sexta-feira, porque os retalhistas podem não estar em condições operacionais, nomeadamente ao nível dos seus sistemas".
"Recomenda-se, por isso, que os jovens, uma vez indo à plataforma, aproveitem para confirmar quais são as livrarias que já estão registadas, porque é expectável que esta adesão venha a ser gradual nas primeiras semanas do mês de janeiro", avisa.
Numa altura em que os Estados Unidos continuam a banir livros e o discurso de ódio aumenta, Miguel Pauseiro sublinha o papel que os livros podem ter na fomentação do pensamento crítico e da democracia.
"A partir dos livros nós acedemos ao conhecimento, abrimos portas à imaginação, treinamos e agilizamos o raciocínio, (...). Compreendemos a realidade que nos rodeia, conseguimos questioná-la como é próprio, por exemplo, dos jovens e criamos um fundamento de argumentação para questionar aquilo que precisamos questionar. No fundo, prepara-nos. (...) A leitura prepara-nos para a nossa participação na esfera pública de uma forma esclarecida. Quanto maior for, mais largo, mais amplo for o nosso conhecimento, mais justo será um país, mais democrático será um país também e uma sociedade".
A partir desta sexta-feira, os jovens residentes em Portugal que nasceram em 2007 ou 2008 podem pedir um voucher de 30 euros para gastar em livros. O valor representa um aumento de 10 euros em relação à 1.ª edição. O cheque-livro pode ser pedido em chequelivro.gov.pt. O voucher só pode ser utilizado uma vez, na compra de um ou mais livros, até dia 30 de junho.
