
Créditos: Presidência da República
Maria Alzira Seixo foi professora catedrática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e venceu por duas vezes o Prémio P.E.N. de Ensaio: em 1987, pela obra "A Palavra do Romance" e, em 2002, por "Outros Erros"
A investigadora de Literatura Portuguesa, Maria Alzira Seixo, 84 anos, morreu esta terça-feira de madrugada.
A informação foi avançada à Lusa pelo ensaísta Manuel Frias Martins, presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários.
Frias Martins era colega da Maria Alzira Seixo nos júris dos prémios literários Fernando Namora e Revelação Agustina Bessa-Luís, assim como do Prémio Vasco Graça Moura/Cidadania Cultural, atribuídos anualmente pela Estoril Sol.
Maria Alzira Seixo foi professora catedrática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e venceu por duas vezes o Prémio P.E.N. de Ensaio: em 1987, pela obra "A Palavra do Romance" e, em 2002, por "Outros Erros".
Entre os seus títulos conta-se a obra de análise "Os Romances de António Lobo Antunes".
José Jorge Letria lamenta "perda para a cultura portuguesa" e espera que obra da investigadora seja "revitalizada"
As áreas de investigação de Maria Alzira Seixo foram a Literatura Portuguesa, Literatura Comparada, a Literatura Francesa Clássica e Contemporânea e questões relacionadas com a pedagogia literária.
Em declarações à TSF, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores e amigo pessoal de Maria Alzira Seixo, José Jorge Letria, destaca que esta é sobretudo "uma perda para a cultura portuguesa".
"Maria Alzira Seixos foi das mais importantes professoras de literatura e de literatura comparada da Universidade Portuguesa. Foi uma ensaísta extraordinária e teve, entre outras, a enorme responsabilidade de fazer as edições fixas e finais, tanto de José Saramago como de António Lobo Antunes" destaca.
Natural do Barreiro, a investigadora tinha "orgulho da sua origem naquela terra" devido à "herança de resistência à ditadura" presente na cidade.
Além de terem partilhado o "mesmo espaço político há 30 anos", os caminhos de Maria Alzira Seixos e José Jorge Letria "evoluíram". "Eu consegui levá-la para os corpos sociais da sociedade portuguesa de autores, a que ela se dedicou com grande disponibilidade, grande criatividade e sempre um elevado sentido crítico", conta.
O líder da Sociedade Portuguesa de Autores espera agora que a obra de investigação deixada pela autora seja "revitalizada em novas edições".
"Ela merece esse reconhecimento e esse aplaudo sempre renovado", assinala.
