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A vila alentejana de Cuba cumpre a tradição de fazer um corso pela cidade há mais de 25 anos. João Duarte Palma, o presidente da câmara de Cuba, diz à TSF que a vila chega a mais do que duplicar a população em época carnavalesca
Esta terça-feira celebra-se o Carnaval em Portugal, no entanto, por causa dos efeitos das tempestades, muitas regiões não vão poder fazer a festa. Não é o caso de Cuba, no Alentejo, onde o tradicional corso de máscaras e carros alegóricos se cumpre há mais de 25 anos, sublinhou à TSF João Duarte Palma, o presidente da câmara. O desfile vai contar com 12 carros alegóricos, cerca de 50 grupos e aproximadamente mil participantes. A festa distrai os habitantes, mas também contribui para o crescimento da região, principalmente a nível económico.
"O feedback é bastante positivo, quer por parte da população, que acaba por compôr também os grupos, as associações, o comércio local. Também é importante que se sinta o impacto que uma iniciativa destas também tem no comércio, não só local, mas também regional, que acaba por mexer-se muito. Sendo o maior corso da região, é normal que nos concelhos vizinhos também se sinta esse impacto. E, claro, as pessoas falam, porque tradicionalmente as pessoas aqui em Cuba brincam ao Carnaval já há bastante tempo, agora de forma organizada. O corso foi há cerca de 25 anos que se iniciou e [desde aí] tem sempre crescido e daí também se deve ressalvar o empenho do movimento associativo", afirma.
Cuba do Alentejo é uma cidade com apenas cinco mil habitantes, mas o presidente da câmara diz que são esperadas cerca de 20 mil pessoas na cidade para assistir ao corso. Todos os anos há um tema diferente. João Duarte Palma lembra os anos em que as festas se destinaram à arte circense ou ao mundo aquático. Já este ano, o tema escolhido foi a "Roma Antiga".
A escolha surge na sequência da candidatura do Baixo Alentejo à "Cidade Europeia do Vinho". Sendo esta uma região produtora de vinho e com "forte presença romana", o município entendeu que fazia "sentido" aproveitar a ocasião para celebrar esta identidade. "Achamos que seria um tema adequado porque permite que, em termos de grupos, se faça uma composição visual bastante interessante", justifica o autarca.
As celebrações de Carnaval em Cuba, no Alentejo, começaram na sexta-feira com o desfile das escolas do concelho, mas estendem-se até esta terça-feira, dia em que o corso principal ganha forma. A parte da manhã é dedicada às "últimas preparações". Depois de a organização ser "afinada", o desfile, que arranca a partir das 15h00, podendo durar entre duas a duas horas e meia, termina na zona do Parque Manuel Castro.
O Salão dos Bomebiros vira, contudo, palco para um "baile de Carnaval" ao fim do dia: "As pessoas acabam por se divertir e continuar pela noite fora."
Esta terça-feira fica, assim, marcada por mais um dia de Carnaval nesta vila que pertence ao distrito de Beja. O presidente da câmara de Cuba, João Duarte Palma, está satisfeito com estas celebrações que, além de criativas, são marcadas pela originalidade e pelo amor à causa.
"É genuíno. É um Carnaval que é genuíno, que pode não ser tão elaborado ou tão trabalhado como noutros sítios, mas que tem muito a ver com tudo que é a nossa tradição, o nosso Carnaval", defende.
Ainda assim, grupos internacionais marcam igualmente presença nesta festividade que recebe sambistas, com o autarca a salientar que o município não pode "deixar de explorar a parte da interligação cultural". Isto, claro, sempre aliado àquilo que melhor caracteriza o Carnaval português: "A sátira, a crítica e o espírito da brincadeira, da alegria, da diversão."
