"A posição da UGT não consigo explicar." Ferraz da Costa não percebe contestação ao pacote laboral

Pedro Ferraz da Costa
Fórum para a Competitividade
À TSF, Pedro Ferraz da Costa considera que, mesmo com as alterações à lei, "há imensas formas de defesa contra despedimentos abusivos ou que sejam feitos por espírito persecutório"
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O presidente do Fórum para a Competitividade e antigo líder da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Pedro Ferraz da Costa, não compreende a contestação ao pacote laboral proposto pelo Governo.
Uma das medidas que tem gerado mais discussão é o facto de cair a obrigatoriedade de reintegrar na empresa os trabalhadores que foram despedidos por justa causa.
"Quem nesta legislação for despedido, foi com certeza bem despedido. Há imensas formas de defesa contra despedimentos abusivos ou que sejam feitos por espírito persecutório em relação a pessoas de uma ideologia diferente ou de uma raça diferente. Isso não existe. As pessoas têm todas as possibilidades de defesa, há tribunais de trabalho. É dificílimo despedir pessoas em tribunal de trabalho, mesmo que haja razões objetivas para isso", disse Pedro Ferraz da Costa à TSF.
Assim, o líder do Fórum para a Competitividade não percebe "por que é que as pessoas podem agora estar menos protegidas" e questiona: "Quantos casos é que há de despedimentos por ano que sejam contraditados por serem considerados abusivos?"
Consequentemente, Ferraz da Costa tem dificuldades em compreender a posição da União Geral dos Trabalhadores (UGT) relativamente à greve geral de 11 de dezembro.
"A posição da UGT não consigo explicar. Acho que, aliás, ninguém consegue explicar. As organizações tomam decisões menos felizes em determinados momentos. A UGT, nos últimos 30 anos, teve várias vezes a coragem de tomar medidas de acordo na concertação social que iam contra aquilo que a CGTP achava. Aliás, era fácil ir contra o que a CGTP achava, porque a CGTP nunca quis assinar acordos, portanto, tinha essa oposição de obstrução permanente ou tentativa de obstrução permanente", começa por explicar.
Pelo contrário, a outra central sindical costuma ter outra abordagem: "A UGT em muitas ocasiões achou que devia negociar, achou que aquilo que obteve era compensatório e, portanto, assinou acordos de concertação social e teve com certeza a possibilidade de constatar que tinha tomado a decisão certa e a decisão que os seus afiliados queriam. Neste momento, por que é que a UGT mudou de posição? Ainda não consegui perceber, ainda não ouvi, da parte da UGT, uma explicação que fizesse sentido para mim."
O presidente do Fórum para a Competitividade e antigo líder da CIP acredita que ainda é possível um acordo, pelo menos entre a UGT e o Governo.
"Acho que o mais natural é o Governo, depois de tanta maçada nesta área, fazer uma pequena cedência nalgum aspeto que interesse à UGT e a UGT usar isso para se poder destacar da posição da CGTP. Ficará de fora com a sua greve como, aliás, era previsível desde o início", antevê.
