
Ricardo Salgado
Lusa/Mário Cruz
Ricardo Salgado nega a versão de que o poder político foi apanhado de surpresa e disse hoje na que «as pessoas estavam alertadas». O antigo líder histórico do BES disse ter ficado espantado com as declarações de Paulo Portas na terça-feira na comissão de inquérito.
«Disse o senhor vice-primeiro-ministro, por quem tenho uma enorme admiração, que as únicas alternativas que havia para o Banco Espírito Santo (BES) eram ou a nacionalização ou a resolução. Espanta-me muito estas afirmações porque nós antes de sairmos tínhamos forma de recapitalizar o banco e de forma privada. Tivemos o interesse de um fundo de investimento americano, que estava disposto a investir 250 milhões de dólares em dívida subordinada do BES. Avisei o Banco de Portugal deste interesse deste fundo investidores de recapitalização privada que estava disposto a recapitalizar o BES. E o Banco de Portugal não disse nada! Não disse nada!», afirmou Ricardo Salgado perante os deputados.
Na terça-feira, Paulo Portas disse no Parlamento que no início de agosto só havia duas opções para intervir no BES, a resolução e a nacionalização, considerando que a primeira foi a que melhor protegeu os interesses dos contribuintes.
«A resolução do BES era a única opção, e a mais justa para os contribuintes, dada a urgência em tomar uma decisão no fim de semana em que o banco foi alvo de uma intervenção, no início de agosto», afirmou Portas.
«Em termos teóricos, havia diferentes soluções: resolução, nacionalização e recapitalização e estou a excluir uma quarta, que é deixar o BES falir, porque a dimensão que o BES tinha, ao contrário do BPN, teria impactos gravíssimos sobre a confiança, empréstimos e estabilidade do sistema financeiro», sublinhou o vice-primeiro-ministro.