
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho
Arquivo
A reunião está agendada para a próxima terça-feira, às 17h00
A ministra do Trabalho convocou esta sexta-feira a UGT para uma reunião na próxima terça-feira, tendo em vista continuar as negociações sobre o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral, adiantou o Ministério à agência Lusa.
"Apesar da realização da greve geral que interrompeu o processo negocial que estava em curso, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social convocou hoje [esta sexta-feira], um dia a seguir à greve geral, a UGT para uma reunião na próxima terça-feira, às 17h00, para prosseguir as negociações", revela a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, citada na nota do Ministério enviada à Lusa.
Em declarações à TSF, o secretário-geral adjunto da UGT, Sérgio Monte, confirma as negociações: "Sempre dissemos que no dia seguinte à greve estaríamos dispostos para nos sentar à mesa para negociar e, portanto, confirmo que a reunião está agendada já para a próxima terça-feira às 17h00. É uma reunião bilateral e esperamos que seja o início de um processo em que comecemos a partir pedra. Esperemos que o Governo agora faça jus às palavras do primeiro-ministro e que as matérias que vêm para cima da mesa já não venham com traves-mestras que não podem cair."
Sérgio Monte espera que não existam medidas intocáveis, uma vez que "a negociação é um processo de cedências e conquistas de parte a parte".
A convocatória surge um dia depois da greve geral convocada pela CGTP e UGT contra as alterações à lei laboral propostas pelo Governo e que estão a ser discutidas em Concertação Social.
O secretário-geral da CGTP afirmou na quinta-feira que a paralisação foi "uma das maiores greves gerais de sempre, se não mesmo a maior greve geral de sempre", tendo contado com a adesão de "mais de três milhões de trabalhadores".
"Estamos perante uma impressionante resposta do mundo do trabalho. Não há volta a dar, não há margem de manobra que deixe qualquer espaço para outra conclusão", disse ainda Tiago Oliveira, citado em comunicado, reiterando o apelo para que o Governo retire o pacote laboral da discussão.
Já do lado do Governo, numa declaração ao final da manhã de quinta-feira, o ministro da Presidência, Leitão Amaro, afirmou que "a esmagadora maioria do país está a trabalhar", argumentando que as transações financeiras na SIBS estavam "com uma redução de 7% face ao período normal" e que "o trânsito nas pontes do sul para Lisboa" estava a cair 5% .
Realçando que o Governo respeita o direito à greve, António Leitão Amaro considerou ainda que o nível de adesão "é inexpressivo, em particular no setor privado e social".
"Esta parece mais uma greve da função pública", disse ainda o governante, reconhecendo os impactos nos transportes ou nos "assistentes nas escolas".
À Lusa, o ministério do Trabalho confirmou ainda que está prevista uma reunião plenária com todos os parceiros sociais em sede de Concertação Social para 14 de janeiro, como avançado pelo Expresso, e a poucos dias das eleições presidenciais.
Notícia atualizada às 13h40
