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O ministro do Emprego afirmou que o ajustamento salarial no setor privado «já foi feito» e manifestou total discordância com o FMI que insiste numa maior flexibilização laboral em Portugal.
«Objetivamente, há uma diferença de opinião entre o Governo e o FMI na matéria do mercado laboral. O Governo português considera que o ajustamento, nomeadamente, no setor privado, já foi feito e considera que não é modelo de desenvolvimento em Portugal um modelo assente em salários baixos», disse Mota Soares à margem do XVII Congresso Nacional de Direito do Trabalho, a decorrer em Lisboa.
O ministro considerou que «é normal, durante um programa [de assistência], que o Governo não concorde muitas vezes com alguma parte da 'troika', nomeadamente, com o FMI».
Mota Soares insistiu que «o setor privado em Portugal já fez um conjunto de ajustamentos» e que «o tempo agora é o de crescimento da economia, de recuperação de postos de trabalho e de motivação dos trabalhadores» para que o país possa concluir o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) em junho do próximo ano.
Mota Soares não garantiu, todavia, que não haverá cortes salariais no setor privado, remetendo para matérias que estiveram no centro da discórdia entre o executivo e os membros da 'troika' nas oitava e nona avaliações ao PAEF e que o Governo travou.
«Na sequência da última avaliação, parte da 'troika', nomeadamente, o FMI, queria que o Governo tivesse ido mais longe tomando um conjunto de medidas para garantir, nomeadamente, que o salário mínimo dos jovens baixasse. O Governo desincentivou essa medida», referiu o ministro da tutela.
No seu relatório sobre a oitava e nona revisões regulares ao PAEF, divulgado na quarta-feira, o FMI considera que a flexibilidade salarial continua a ser limitada no setor privado e insta o Governo a ir mais longe.