"Os eurodeputados portugueses trabalham e honram-nos muito." Palavra de huissier do Parlamento Europeu

"Os eurodeputados portugueses trabalham e honram-nos muito"

Por vezes, Francisco Falcão tem de fazer esforços para conter a comoção, em especial quando são proferidos os discursos mais mobilizadores ou são tratados os temas que mais desesperança transmitem. Desde 2009 é o responsável pela unidade portuguesa de interpretação no Parlamento Europeu, mas trabalha nas cabines, a fazer interpretação simultânea, há 25 anos. As novidades "lá de Bruxelas" chegam a Portugal de outra forma, mais simplificada, admite. Mais distante, também. No calor do momento, é diferente. O "lá em Bruxelas" é perto, muito perto dos sonhos tangíveis. "Temos de controlar as emoções. No fundo, é como a representação; um ator também não se pode deixar tomar pelas emoções, tem de continuar o seu trabalho."

"A pandemia veio mostrar a urgência de um rendimento básico incondicional"

"A pandemia veio mostrar a urgência de um rendimento básico incondicional"

Francisco Guerreiro caminha seguro no extenso chão do edifício do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Há mais de um ano que é independente, luta pelas cores das próprias bandeiras, alinhadas com a família dos Verdes. O eurodeputado defende prioridades que não têm cabido na agenda política da Comissão Europeia, como o rendimento básico incondicional, que, diz, trará uma transição digital mais justa quando alguns trabalhos forem substituídos pela automação. Mas, à conversa com a TSF, não saltam apenas críticas ao executivo comunitário. No mesmo dia em que escreveu no Twitter que "a falta de harmonização europeia a nível de cuidados de saúde é gritante", porque tomar café na esplanada em França requer certificado, também dirige críticas ao Governo português, por adotar o "chavão" da economia digital e verde sem lhe fazer justiça.