Miguel Poiares Maduro

Um estado inconsistente é um estado sem autoridade

Esta manhã, falo-vos desde Viena, onde estou por uns dias. Para entrar na Áustria, tive, naturalmente, de apresentar um teste PCR negativo à Covid. Mas para fazer check-in no hotel ou ir ao restaurante também necessitei disso. Na Áustria, não há praticamente atividade num local fechado que não exija a apresentação de um teste Covid negativo ou, em alternativa, de um certificado de vacinação ou de imunidade. Isto conduz a um grau de testagem da população, e correspondente controlo da pandemia, muito superior ao nosso. De acordo com os últimos dados do Our World in Data, a Áustria realizou oito vezes mais testes que Portugal. Leu bem, oito vezes mais. Claro que, para isto ser possível, a Áustria não se limita a exigir muitos mais testes aos seus cidadãos. Facilita-os, de várias formas. Na Áustria, há uma rede de centros de testagem gratuita. Mas é possível também fazer testes nas farmácias e em casa. E muitos destes testes são mais fáceis e menos desagradáveis do que as famosas zaragatoas que vemos todos os dias nas televisões portuguesas. Foi aqui que descobri que já existem testes PCR (os mais exigentes) através do simples gargarejar de um líquido. E até entregam em casa e depois passam a buscar. É natural que, com tanta facilidade, os austríacos tenham um grau de testagem muito superior ao nosso. Em consequência, é também natural que estejam a conseguir controlar melhor a pandemia do que nós e com a vida e a economia já de regresso a uma grande normalidade (não há máscaras ao ar livre e está praticamente tudo aberto e com horários normais).