
Maria João Rodrigues
Octávio Passos/Global Imagens
Em declarações à TSF, a ex-ministra e eurodeputada socialista, Maria João Rodrigues, diz que "várias maiorias" podem surgir depois das eleições para o Parlamento Europeu. "Estamos a preparar-nos", garante.
Para fazer face a um Parlamento Europeu que se adivinha mais fragmentado depois das eleições europeias do próximo ano, os socialistas europeus já estão concentrados em negociar coligações que permitam criar uma maioria e eleger o próximo presidente da Comissão Europeia. A garantia é da eurodeputada socialista Maria João Rodrigues.
Ouvida pela TSF durante o Congresso do Partido Socialista Europeu, em Lisboa, a antiga ministra do Governo de António Guterres defende que é preciso antecipar cenários.
"Várias maiorias podem surgir, mas, nós, socialistas europeus, estamos a trabalhar para desenvolver uma coligação de forças europeias progressistas ouvindo e dialogando com as forças que estão à nossa esquerda, mas também no centro do espetro político", afirma.
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Sublinhando a importância - que decorre do Tratado de Lisboa - das eleições europeias que se realizam em maio de 2019, Maria João Rodrigues adianta que os socialistas europeus estão a preparar-se "com essa estratégia de negociação, com uma agenda governamental para a Europa", no sentido de, após o ato eleitoral, traduzir a estratégia atual numa "negociação muito concreta para eleger o próximo presidente da Comissão Europeia".
Em Lisboa, o Congresso do Partido Socialista Europeu vai aclamar , este sábado, o holandês Frans Timmrmans como cabeça-de-lista dos socialistas à presidência da Comissão Europeia, que terá como grande opositor Manfred Weber, o candidato do Partido Popular Europeu (PPE).
Maria João Rodrigues, eurodeputada, considera que Frans Timmermans tem o perfil certo para uma função "altamente exigente".
"É um político com longa experiência, nacional e europeia. Foi eleito variadíssimas vezes como membro do parlamento holandês, foi ministro várias vezes e, mais recentemente, era não só comissário europeu como primeiro vice-presidente da Comissão Europeia. Portanto, mostra uma grande preparação para esta função governativa", diz a vice-presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu.
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A eurodeputada entende, por isso, que o holandês "tem o perfil" para suceder a Jean-Claude Juncker no lugar de líder da Comissão Europeia.
"Estas eleições decidem", avisa Pedro Silva Pereira
Ouvido pela TSF no Congresso do Partido Socialista Europeu, Pedro Silva Pereira, outro dos eurodeputados socialistas presentes em Lisboa, diz que é preciso que os cidadãos compreendam a "importância" das próximas eleições europeias, sublinhando que exemplos como o 'Brexit' mostram que os movimentos nacionalistas são uma "ilusão" para os eleitores.
"Muitas pessoas pensam que as eleições europeias são de segunda ordem, mas, aqui, estamos a votar nos destinos da Europa, em quem vai liderar a Comissão Europeia e qual o projeto político que vai governar as politicas europeias que dizem respeito aos cidadãos", diz o eurodeputado.
E acrescenta: "Vemos a direita a crescer e a composição do Parlamento Europeu vai ditar muito do futuro. O 'Brexit' mostrou que a agenda da direita nacionalista é uma ilusão, não constrói nada só destrói".
O Congresso do Partido Socialista Europeu termina este sábado, em Lisboa, estando previstas intervenções de nomes como o holandês Frans Timmermans, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o líder do Governo português, António Costa.
Leia e ouça aqui: A democracia está a ser questionada". Entrevista TSF a Frans Timmermans.