Deco deixa alerta. App Houseparty recolhe e partilha dados pessoais dos utilizadores

Numa altura em que grande parte da população está confinada em casa, as redes sociais e as videochamadas são uma das principais formas para manter o contacto. Mas há riscos de segurança.

As aplicações para videoconferências têm registado um grande subida nas tabelas das mais descarregadas, e a Houseparty surge mesmo no topo das preferências. No entanto, a Deco (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor) vem agora alertar os consumidores para que não descarreguem a app.

A Houseparty combina o estatuto de rede social com a hipótese de videochamadas e jogos de realidade aumentada. Está disponível para os sistemas Android e iOS, mas também pode ser acedida no computador, seja em Mac ou PC, através de uma extensão para o Google Chrome. Só que, para instalá-la, é preciso fornecer uma grande quantidade de informação pessoal.

De acordo com os testes feitos pela Deco, além do "nome de utilizador, e-mail e password", a aplicação recolhe também "som, imagem, localização" e ainda outras informações pessoais, como "identificadores únicos, contactos ou números de telemóvel", embora garanta que estes não serão partilhados com terceiros.

A Deco afirma que há, de facto, partilha destas informações pessoais com "uma longa lista de empresas terceiras como o Facebook, a Google e empresas de publicidade".

"A app pede acesso aos seus contactos para poder enviar convites. É uma permissão perfeitamente prescindível e é pouco recomendável, pois pode estar a comprometer não só a sua privacidade como a dos seus contactos. Se não pretende adicionar muitos amigos (e esse não é o intuito desta aplicação), opte por fazer os convites um a um", recomenda a associação de defesa do consumidor.

A Deco considera ainda preocupante o facto de ter detetado que é enviada para a empresa uma lista das aplicações já instaladas no dispositivo, um tipo de informação que não deveria ser recolhida e que à qual a Houseparty não faz qualquer referência explícita.

Para a associação de defesa do consumidor, a aplicação deveria melhorar a segurança no registo, para que "mesmo que consiga intercetar a comunicação, o atacante não consiga desencriptar a palavra-passe."

A Deco chama a atenção também para as questões de segurança dos mais novos, tendo em conta que a Houseparty só deveria ser utilizada por maiores de 13 anos, mas que não é feito qualquer tipo de verificação e que "um menor pode colocar uma data de nascimento fictícia para conseguir completar o registo".

"Nada impede que os utilizadores adicionem conteúdos [de pornografia ou nudez explícita] a salas com crianças, se não estiverem bloqueadas", alerta a associação, que sublinha que deve haver sempre "supervisão por parte de um adulto" se a app for utilizada por um menor.

Por último, os testes realizados concluem que a Houseparty causa um grande consumo de bateria e de dados móveis. "Se não tiver rede wi-fi, corre o risco de esgotar o plafond de dados mensal com alguma rapidez", avisa a Deco.

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