Rodrigo Tavares

O meu filho herdará um país pior que o meu

As notícias do coronavírus na China são recebidas com mais alarmismo do que qualquer alerta sobre os efeitos das alterações climáticas. Enquanto o vírus mata milhares, o aumento de 1,5º C da temperatura média da Terra, causada pela crise climática, pode matar dezenas de milhões de pessoas. Mas a sociedade continua apática diante do problema. Um zumbido, isolado, pode ser aterrorizador, mas um zumbido, se acompanhado por muitos outros, pode tornar-se uma banalidade. E o debate internacional sobre o meio ambiente tornou-se uma banalidade, na qual participam estadistas, cientistas e adolescentes, sincronizados com a necessidade de se fazer alguma coisa, mas sem que se faça, realmente, nada de verdadeiramente decisivo. São poucos aqueles em todo o mundo, com exceção da comunidade científica e dos seguidores da Greta, que têm sentido de calamidade e de urgência. Em Portugal não é diferente. O cano da pistola está a morder a testa, mas os portugueses ainda não fitam as alterações climáticas como uma ameaça à sua existência.