Não haver Brexit é mais provável do que uma saída sem acordo. Adiar está fora de questão

Theresa May tenta esta manhã pressionar os deputados a aprovar o acordo para o Brexit. Ficar na União Europa é agora um cenário mais provável do que sair sem acordo ou adiar as negociações.

"Temos o dever de implementar o decidido em referendo", defende a primeira-ministra britânica, recusando alargar o período de transição estipulado pelo artigo 50.º do Tratado de Lisboa.

A rejeição do acordo alcançado com a União Europeia por parte do parlamento britânico pode conduzir a um de dois cenários possíveis, alertou Theresa May: ou uma saída sem acordo, que seria "prejudicial à economia e vida diária das pessoas", ou nenhum Brexit, o que representaria uma rejeição inédita de uma decisão referendada.

Se a saída sem acordo é um risco, não sair de todo é "um risco maior", defendeu. E este último cenário é agora mais provável.

A primeira-ministra britânica afirmou acreditar que as garantias de Bruxelas, com a carta de "clarificações" enviada ao Reino Unido , vêm dar resposta às reservas dos deputados.

Por outro lado, rejeita a hipótese admitida por Donald Tusk e Jean Claude Juncker de alargar o período de transição, a pedido de Londres. Não será necessário adiar a saída nem um segundo referendo, assegura May, convicta de que os deputados vão mudar de ideias: "Vamos sair dia 29 de março".

Num discurso em Stoke-on-Street, uma cidade industrial no centro de Inglaterra, que votou maioritariamente a favor da saída no referendo de 2016, Theresa May fala de uma semana crucial na história do país.

Esta terça-feira será votado o acordo negociado pelo governo com Bruxelas para garantir uma saída ordenada da UE e um período de transição até ao final de 2020, durante o qual serão negociadas as futuras relações entre as duas partes.

Porém, dezenas dos 317 deputados do partido Conservador e os 10 deputados do Partido Democrata Unionista ameaçaram reprovar o documento devido à insatisfação com a solução de salvaguarda incluída para evitar uma fronteira física entre a região britânica da Irlanda do Norte com a vizinha europeia Irlanda.

O chumbo do documento poderá obrigar o governo britânico a pedir uma extensão do período estipulado pelo artigo 50.º do Tratado de Lisboa, que foi ativado por Londres em 2017 para formalizar o pedido de saída da UE, para além de dois anos e que termina a 29 de março de 2019.

Embora o governo britânico mantenha como posição oficial que não pretende fazê-lo, o diário The Guardian noticia que a União Europeia está a preparar-se para essa eventualidade, aguardando um pedido "nas próximas semanas".

Citando fontes anónimas da UE em Bruxelas, os 27 estariam preparados para oferecer uma extensão "técnica" até julho, data da tomada de posse dos deputados eleitos em maio para o Parlamento Europeu, para o Reino Unido resolver o impasse.

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