Festa dos Sabores abre o FELPO e os chefs foram em busca da inspiração

O português Vítor Sobral, o angolano Helt Araújo e a brasileira Tereza Paim são as estrelas do primeiro dia do Festival da Língua Portuguesa, na Bahia. A TSF acompanha o festival que celebra a lusofonia e os 470 anos da cidade de Salvador.

Na cidade brasileira de Salvador, no estado da Bahia, arranca esta quinta-feira a primeira edição do Festival da Língua Portuguesa (FELPO) e o pontapé de saída é dado com a Festa dos Sabores, no Restaurante Casa de Tereza, da chef Tereza Paim, que recebe o chef português Vítor Sobral e o chef angolano Helt Araújo para uma sessão de degustação dos sabores dos três países.

Os três nomes da gastronomia lusófona juntam-se na capital do estado baiano para uma sessão em que marcam presença outros convidados do festival, como é o caso dos músicos Ana Moura, António Zambujo, Daniela Mercury e Paulo Flores, ou dos escritores Itamar Vieira Júnior, Ricardo Viel e Paloma Amado. Mas, antes do arranque oficial do festival, foram em busca da inspiração e dos ingredientes perfeitos para o encontro que celebra a lusofonia e que integra as comemorações oficiais dos 470 anos da cidade de Salvador.

E, se a ideia é procurar algo de diferente e fora dos circuitos habituais, nada melhor do que cruzar as águas da baía. "É procurar e comprar algumas coisas para tentar fazer um prato que todos os chefs cozinhem. Acho que vai sair um pirão bom", diz à TSF a chef brasileira Tereza Paim, em plena Feira Popular de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, conhecida pela produção tradicional e artesanal de produtos como farinha de mandioca e beiju ou pela extração do dendê - feita ainda de um modo quase primitivo na zona do Quilombo do Tereré. "O dendê pinta os nossos pratos. Eu acho que é a cor da luz e a luz do por do sol da Baía de Todos os Santos", sublinha.

Na visita, que levou os chefs a espaços como a Casa de Farinha ou o Museu da Memória Viva dos Quilombos do Tereré e Maragojipinho, participou também o secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Vera Cruz, Luiz Henrique Amaral, que lembra que, além destes produtos, também os "peixes, mariscos e ostras" têm começado a chegar a Salvador com maior regularidade.

"É interessante conseguir, através da gastronomia, disseminar esses produtos e essa diversidade de matéria-prima que a gente tem", diz.

Nesta busca pelos ingredientes perfeitos e pela inspiração, também Helt Araújo se deixa impressionar pelas cores e características dos produtos que, defende, reforçam a ideia do FELPO como exemplo e mostra do que há de melhor no cruzamento de saberes e de culturas. E, porque não, de sabores.

"A Bahia surgiu um pouco por causa de África, então, tudo o que queremos retratar com os nossos pratos tradicionais também vimos buscar à Bahia. Isso mostra esta familiaridade e proximidade entre continentes e povos. Podemos recriar os nossos pratos tradicionais com produtos naturais da Bahia, porque são os mesmos que temos em casa", diz à TSF o chef angolano.

Mas, por entre especiarias, farinhas e produtos das mais variadas formas, cores e sabores, qual o que mais captou a atenção de quem, em tempos, foi responsável pelo menu do jantar de gala da Academia Internacional de Gastronomia? "A fruta", diz sem hesitar. E explica: "Muito rica. Vale pela potência, pelo sabor, pela exuberância e pela cor".

Já Vítor Sobral, o representante da gastronomia portuguesa na Festa dos Sabores, admite que se deixou encantar por quiabos, pelos ananases ou pelo "cheio fantástico" das goiabas. Porém, o chef luso sublinha: "Tudo o que é típico daqui é fantástico, eu acho é que eles não sabem explorar o bom que têm".

"Esta terra é uma mais-valia muito grande, mas eles não sabem tirar partido dessa mais-valia", insiste Vítor Sobral, que vai estar à mesa, esta quinta-feira, em Salvador, no restaurante Casa de Tereza, no arranque do Festival da Língua Portuguesa (FELPO).

O festival, que é organizado pelo Global Media Group - do qual faz parte a TSF - e pela Prefeitura de Salvador, termina no sábado, mas, até lá, há muitas iniciativas para acompanhar em áreas como a culinária, a música ou a literatura. Ainda em 2019, o Festival vai acontecer também em Lisboa.

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