"Inaceitável". Primeiro-ministro francês denuncia "infiltrados" nos coletes amarelos

Édouard Philippe foi aos Campos Elísios denunciar a presença de protestantes radicais nas manifestações, mas a sua aparição acabou por exaltar os ânimos.

Paris vive mais um sábado de pilhagens, carros incendiados e montras apedrejadas. Este sábado, o 18.º com coletes amarelos nas ruas, os protestos subiram de tom e deixaram, nas ruas da capital francesa, um rasto de destruição.

As reações oficiais já começaram a fazer-se sentir: a presidente da câmara de Paris já fez saber, no Twitter, que ativou a célula de crise numa tentativa de travar a violência.

Já o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, deslocou-se mesmo até à zona dos protestos para condenar a onda de violência e para denunciar a presença de "infiltrados" entre os coletes amarelos.

"Hoje, centenas, até milhares de infiltrados vieram a Paris para entrar em confronto com as forças de segurança, com os símbolos do Estado, com a propriedade privada e com a Democracia. É inaceitável. Venho aqui para demonstrar o meu grande apoio às forças de segurança, aos bombeiros sapadores - que esta manhã evitaram o pior após um incêndio provocado por alguns protestantes. Venho também para dar instruções muito firmes no sentido de que todos aqueles que se envolvam nestes atos inaceitáveis sejam levados aos tribunais, julgados e severamente punidos", defendeu o primeiro-ministro francês.

A deslocação de Philippe até aos Campos Elísios não foi, no entanto, bem recebida pelos protestantes. A repórter da TSF, Lígia Anjos, conta que a visita teve como efeito uma escalada de violência. Os manifestantes destacam sobretudo a incapacidade do Governo em definir prioridades.

Já o secretário do Partido Socialista francês, Olivier Faure, questionou até quando é que Macron tentará manter a linha política que colocou Paris nesta situação.

As últimas movimentações da polícia francesa indicam que estará em marcha uma operação de evacuação dos Campos Elísios, cercando a avenida e reforçando as equipas em frente ao Palácio do Eliseu.

Além da manifestação dos coletes amarelos, há ainda um outro foco que preocupa a polícia francesa: decorre também em Paris, esta tarde, uma manifestação pelo ambiente e na qual se teme que possam vir a infiltrar-se os protestantes mais radicais.

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