May quer saber se deputados aceitam Brexit sem acordo. Nova votação esta quarta-feira

Primeira-ministra britânica lamenta o chumbo do acordo do Brexit e deixa um aviso aos deputados: "são escolhas que devem ser enfrentadas."

Foi quase sem voz e com ar resignado que Theresa May discursou, esta tarde, perante a Câmara dos Representantes, após um novo chumbo do acordo do Brexit. A primeira-ministra britânica lamentou a decisão e explicou que vai, esta quarta-feira, apresentar uma moção para saber se os deputados querem sair da UE, a 29 de março, com ou sem acordo.

No caso de escolherem uma saída com acordo, vai depois procurar saber se a câmara quer uma extensão do Artigo 50 - que decreta a saída do Reino Unido - ou não. Por último, caso essa extensão seja aprovada, May garante que vai procurar acordar uma nova data para a saída.

"Lamento a decisão que esta câmara tomou esta noite. Continuo a acreditar que o melhor seria que o Reino Unido saísse da União Europeia de uma forma ordeira, com o Acordo que temos na mesa. O Acordo que negociamos é o melhor e, na verdade, o único disponível", começou por lamentar a primeira-ministra britânica.

Com o acordo rejeitado, Theresa May colocou os olhos no futuro e explicou os passos que pretende agora dar. "Esta noite, temos uma moção para debate amanhã, para testar se a câmara apoia a saída da UE, sem acordo, a 29 de março. Isto é problemático para o futuro do nosso país. Tal como no referendo, existem pontos de vista legítimos de ambos os lados, obviamente. Por essa razão, posso confirmar que essa será uma votação livre deste lado da câmara."

Theresa May assumiu que se debateu com esta questão: "quero trazer o resultado do referendo para a mesa e efetivá-lo." Para isso, May repetiu a intenção de sair da UE de forma ordeira.

"Tenho consciência do meu dever enquanto primeira-ministra e dos danos potenciais para esta união que sair sem acordo poderia trazer quando parte do nosso país não tiver uma governação independente. Como tal, esta moção dirá que declina sair da UE sem um acordo de saída e um enquadramento das relações futuras a 29 de março. Nota, claramente, que sair sem acordo continua a ser a saída perfeita na lei europeia, a não ser que esta câmara e a UE ratifiquem um acordo", explicou.

Esta quarta-feira, Theresa May regressará à Câmara dos Representantes para debater e explicar com maior detalhe as questões relacionadas com políticas essenciais como a "abordagem às tarifas e à fronteira com a Irlanda do Norte."

O que se segue?

Caso os deputados britânicos escolham, esta quarta-feira, uma saída sem acordo, May garante que "será a política do Governo implementar essa decisão." Caso recusem sair sem acordo, "o Governo seguirá essa votação com uma moção, na quinta-feira, para saber se o Parlamento quer uma extensão do artigo 50 ou não."

Se essa extensão for aprovada, "o Governo irá acordar essa extensão com a UE, a partir da legislação necessária para mudar a data de saída. Mas deixem-me ser muito clara: votar contra a saída sem acordo e pela extensão não resolve os problemas que enfrentamos."

A primeira-ministra britânica explica que, caso os deputados decidam pela extensão, a UE quererá saber para que servirá a mesma. "Será que é para revogar o artigo 50? Será para um segundo referendo? Ou será que quer sair com acordo, mas não com este acordo?"

"São escolhas que devem ser enfrentadas", avisou May, encerrando a sua intervenção.

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