Se o acordo do Brexit for chumbado, May deve tentar "alguma renegociação" com a UE

Investigador do Instituto Português de Relações Internacionais analisa o momento político no Reino Unido.

O acordo do Brexit vai a votação no parlamento britânico esta terça-feira e um dos cenários mais prováveis é que o mesmo seja chumbado pelos parlamentares. Esta segunda-feira, Theresa May fez um apelo para que se esqueçam as jogadas e se faça o que é certo para o país.

À TSF, o investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), José Pedro Teixeira Fernandes, explica que a primeira-ministra britânica corre o risco de sair derrotada e obrigada a tentar renegociar o acordo com Bruxelas.

"O mais plausível será Theresa May - excetuando uma derrota de tal dimensão que fique mesmo sem condições políticas para a sua continuidade - dizer que vai tentar alguma renegociação ou ajustamento com a União Europeia e, no fundo, apresentar uma nova votação promovendo, eventual e paralelamente, um alargamento do prazo com a União Europeia", cenário para o qual May já mostrou disponibilidade.

A primeira-ministra britânica já avisou, esta segunda-feira, que um possível chumbo do acordo negociado com Bruxelas pode provocar o "desmoronamento" da Grã-Bretanha. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, pode vir a apresentar uma moção de censura a Theresa May, mas José Pedro Teixeira Fernandes lembra que a situação também não é confortável para o líder da oposição britânico.

"Chegar ao poder nesta altura é também uma situação delicada. O próprio partido não tem um entendimento em relação a isto, ele é partidário de uma renegociação, mas uma parte importante do partido preferia um segundo referendo para ficar na União Europeia. Essas divisões chegariam ao próprio Partido Trabalhista, para já estão contidas, mas seriam muito mais evidentes se tivesse poder de decisão. Jeremy Corbyn - salvo uma derrota de tal dimensão de Theresa May que aí tivesse pressão do partido para avançar com isto - vai tentar retardar o mais possível o uso dessa possibilidade. Admito que o possa fazer depois disto, mas não de imediato", explica o investigador do IPRI.

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