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O restaurante A Casa do Abel, em São Miguel, acolhe amantes de boas carnes e bons momentos desde o final do século XIX. A casa que visitamos fica no bonito lugar de Água de Pau, a meio caminho entre Ponta Delgada e Vila Franca do Campo. O proprietário e oficiante Abel Cabral está habituado à clientela matizada que se senta à mesa para uma refeição.
A tónica geral do cardápio é carne grelhada e é por ela que vamos. Responde, por isso, pela designação de steakhouse, com generosa escolha de peças e cortes. O chef Rui Viveiros trabalhou alguns anos em Londres e regressou à sua terra natal para nos encantar com as suas soluções. Parte significativa da produção é local, mas também há peças importadas. O serviço é impecável e acontece em tábuas e tachinhos.
Nas entradas, encontramos, por exemplo, estufadinho de cogumelos, também disponível como acompanhamento de algumas peças. Há ótimos pastéis de bacalhau. O patrão Abel tem na Caloura um estabelecimento especializado em peixe e tinha na ideia fazer do Casa do Abel um lugar focado no bacalhau. A proficiência do chef Viveiros, contudo, acabou por ditar a vocação carnívora. E em boa hora isso aconteceu, porque estamos muito bem aqui.
Ainda nas entradas, podemos contar também com uma excelente tábua de enchidos e queijos, ponteados aqui e ali por fruta. O ananás é delicioso e, a propósito, o arroz de frutos secos e ananás é imperdível. Há ainda petiscos diversos para explorar à laia de entrada, pelo que deve consultar a lista das disponibilidades do dia.
Neste paraíso da carne, a única complexidade que temos de enfrentar é a escolha. Mesmo assim, pode fazer-se uma combinação de cortes, para ficarmos felizes e satisfeitos. Em carne de bovino há muito por onde nos perdermos. A vazia é sempre excelente e está disponível com maturações diferentes, todas bem gostosas. Um bife da vazia na Casa do Abel tem sempre a bênção dos céus. O bife do lombo também é excelente e o toque genial do chef abrilhanta ainda mais a peça. O entrecôte, ou ribeye, é a coqueluche da casa e é o sonho de todo o chef de formação clássica. Admite alguma maturação e é muito flexível, em termos culinários. O bife do acém é fantástico, tendencialmente gosto dele mal passado. O bife de alcatra é suculento e pede também ele alguma contenção no ponto. E o bife do pojadouro é aquela peça do imaginário nacional a partir do qual se faz o famoso marrare. Todos amamos. Veado, borrego, javali, peito e coxas de pato também estão disponíveis.
Para sobremesa, opte pela fantástica mousse de chocolate. E marque mesa para amanhã.