
Esporão
Foto: DR
O restaurante da Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, está integrado na unidade de enoturismo do grande produtor de vinhos e azeite. É um caso muito especial de restaurante de adega, pelo sucesso que teve e pelo longe que chegou. O chef Carlos Albuquerque Teixeira governa o espaço, onde só se serve almoços e petiscos. Não há serviço à carta, contrariando um pouco a noção que poderíamos ter de mesa com estrela Michelin. Tem uma estrela verde - símbolo de sustentabilidade - e uma estrela standard, como nalgumas e raras situações no nosso país. Desde 2022 que ostenta orgulhosamente ambas as distinções e um almoço aqui é um regalo pleno para os sentidos.
O chef Carlos Teixeira oficiou como subchefe do chef Pedro Pena Bastos, em 2015, e assumiu a chefia em 2018. O contacto e o aprendizado com o mediático chef foram determinantes. Conceitos como minimização dos desperdícios na cozinha e adoção da lógica de produto inteiro fazem hoje parte do pensamento e prática do chef Teixeira. Pratica-se, além disso, o serviço por menus, que podem ser de cinco ou sete momentos.
O menu é definido no momento inicial da refeição pelo chef e tem de ser adotado por todos os comensais de uma mesma mesa. Estamos numa das melhores casas vinhateiras do Alentejo, pelo que é possível acrescentar harmonização dos pratos com vinhos Esporão. Aconselho vivamente esta opção, a experiência é inesquecível.
Carlos Teixeira procura absorver o máximo de produtos locais. O peixe de rio - lúcio-perca, achegã e barbo - são, por isso, presença frequente na mesa do Esporão. Vem normalmente do Alqueva ou do Guadiana, recursos de aqui muito perto. Há uma horta na qual se produz os hortofrutícolas que se consome, perseguindo o máximo de proximidade possível.
O chef Teixeira é de Lisboa e casou com Susana, alentejana dos quatro costados. Mudança de vida radical. Não custou, por isso, muito a consolidar o cardápio fortemente inspirado nos sabores do Alentejo. Grande parte do menu é composta por vegetais, brilhantemente trabalhados pela irrepreensível brigada do Esporão.
No processamento de proteína animal, por exemplo, borrego alentejano da raça merina, é sagrada a lógica do produto inteiro. Faz-se por isso um aproveitamento total, abarcando as diferentes peças e partes. Não espanta, por isso, que a ementa varie diariamente.
O couvert é composto por três pães de fermentação lenta, integralmente feitos aqui. Trigo e centeio, broa de milho amarelo e maravilhosa foccacia.
A doçaria está a cargo da chef Ana Costa e é brilhante. No restaurante do Esporão, não há duas refeições iguais.