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O restaurante A Tasca do Rogério, nas Cortes, em Leiria, é um pequeno grande templo gastronómico. Apetece sempre ir, nem que seja com pressa de partir. Rogério e Sandra Miguel, ele na sala, ela na cozinha, criam diariamente atmosfera muito especial, marcada sobretudo pela informalidade. O casal recebe-nos como em casa e há que dizer à partida que não há cardápio fixo. Vamos e quando chegamos logo nos é explicado.
Temos de entrada os petiscos habituais, como croquetes, rissóis e queijinho fatiado. Quando há gambas al ajillo, são mesmo de pedir, são das melhores que comi na vida. A oferta vínica não é grande, aqui bebe-se mais cerveja do que vinho. Mesmo assim, a carta tem vindo a fortalecer os títulos disponíveis. Certo é que acompanha bem os pratos que a excelente cozinha prepara. Não se pede mais do que isso, ao fim e ao cabo.
Há sempre uma sopa do dia, a chef Sandra vai variando e fazendo crescer a diversidade culinária. Terça é dia de peixe fresco e coincide com a abertura da casa, após dois dias de pausa. Bons exemplares do mar para emprestar à grelha, neste dia é de estarmos atentos a pequenas delícias da nossa orla marítima. Ovas de pescada, por exemplo, que a cozinha processa na forma mais deliciosa. Os fanáticos da iguaria, grupo no qual me incluo, põem-se em festa quando está disponível, para mais quando é transformada pelas mãos mágicas da nossa chef. Regada com um fio de azeite, temperada na mesa com um pouco de pimenta-preta, é o céu e configura paraíso. Também pode apetecer uns bons filetes de pescada, há que indagar sobre a disponibilidade desta e outras delícias. Há um dia em que o prato do dia é pato assado e também não pode deixar de pedir e deliciar-se. Crocante e sumarento, é servido em pedaços com arroz ou batata assada, vai bem com tudo. Há vinho tinto que combina muito bem com esta especialidade.
Normalmente, quinta é dia de uma das grandes glórias da Tasca do Rogério, que raramente se encontra na restauração. Falo do galo com esparguete, o nome pode não ser muito apelativo, mas garanto que se fica viciado logo na primeira garfada. Sexta é dia de prato de tacho imponente e apetitoso, dá pelo nome de sopa da avó. É mesmo uma perdição e evoca o caldo que encontramos noutras preparações épicas, como a sopa da pedra. Sábado há oferta mais diversificada e vamos com outra marcação de tempo, mais orientada para a refeição vagarosa.
Há excelentes sobremesas, de registo caseiro, e há brisas do Lis, doce típico de Leiria. Nesta tasca estamos como gostamos, por isso voltamos muitas vezes.