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Na zona antiga de Telheiras, o restaurante O Jacinto labora diariamente desde 1971. Fica junto à Segunda Circular numa das vivendas que compõem o bairro. Teresa e São governam os fogões da casa com mestria. Júlio Oliveira é o chefe de sala e coordena a brilhante brigada de serviço. A carta de vinhos é copiosa e diversificada. A cozinha segue as linhas gerais da tradição portuguesa, com toques importantes de modernidade.
Há diversas entradas disponíveis, eu nunca deixo escapar o pratinho de presunto, queijo Serra da Estrela e chourição fatiados. Com um copo de vinho branco, ficamos logo mais capazes. A cozinha prepara deliciosas ovas de pescada, ótimas também para a exploração inaugural. E nunca se diz não a suculentas gambas com alho.
Os pratos de peixe glosam o Atlântico com excecional talento. Há sempre peixes de bitolas maiores para emprestar à competente grelha. Robalo, dourada, garoupa e pregado fantásticos.
Nos pratos de peixe, temos uma grande açorda de bacalhau com espargos verdes. Nesta altura do ano, temos arroz de lampreia do Minho. Faz-se um bacalhau à minhota de gabarito. E os carapauzinhos fritos com arroz de feijão são de ir às lágrimas. A casa produz uma cataplana de robalo com frutos do mar que nos põe a pensar que estamos à beira-mar. E sou fã da massada de cherne com frutos do mar. Adoro as ovas de pescada grelhadas à lagareiro, vêm com deliciosas batatas a murro e grelos, apetece repetir. O polvo assado no forno é desafiante e a assessoria de batatas aromáticas acrescenta muito ao conjunto. Sou fã do caril de gambas com arroz basmati desta casa abençoada.
Os pratos de carne do Jacinto revelam algumas glórias da cozinha portuguesa. É o caso, por exemplo, do arroz de cabidela com frango do campo. O cozido à portuguesa é um dos melhores de Lisboa. As iscas fritas com batatas salteadas configuram viagem no tempo. A jardineira de vitela é feita como antigamente, sabores bem puxados e caldo maravilhoso. O leitão bísaro assado à moda da Bairrada leva-nos nas palminhas até essas latitudes mais a norte. Adoro o ossobuco estufado com batatas e esparregado, é o próprio paraíso. E uma simples alheira de caça frita com ovo estrelado é conspiração dos deuses a nosso respeito.
As sobremesas são muito boas. A minha favorita no Jacinto é a tarte de limão merengada. O petit gateau de chocolate é extraordinário. Até a mousse de chocolate é prodigiosa. Saio do Jacinto muito consolado, com a próxima refeição já marcada.