
O Mané
Foto: DR
O restaurante O Mané, em Portimão, simboliza uma dimensão clássica de resistência que não se pode perder. Fundada por alentejanos de Barrancos, tem essa noção incrustada no seu ADN. Ao mesmo tempo, é um dos lugares mais frequentados de Portimão. Pratica-se uma cozinha autêntica, e o produto marítimo é rei. Há cinquenta anos que é assim.
Temos ao nosso dispor a profusão de entradas que o dia proporciona. Queijinho, linguiça frita e salgadinhos nunca faltam para alegrar a alma e acalmar a gula. Torresmos gloriosos e morcela assada fantásticos também aquecem a alma. À entrada, o cardápio do dia está escrito a giz numa ardósia, e é por aí que devemos guiar-nos. Varia, portanto, consoante o que o mar e a praça dão.
É relativamente normal encontrarmos excelentes filetes de peixe fritos com açorda de alho e coentros. As lulas fritas à algarvia são também presença assídua, estas com batata frita ou cozida. Sou fã dos jaquinzinhos fritos com arroz de grelos. Excelentes para ir debicando à mão, graças a uma fritura exemplar, que reduz a gordura ao mínimo. Quando há polvo à lagareiro, é uma festa, é dos pratos do Mané de que tenho a melhor memória. Faz-se uma massada de corvina absolutamente exemplar. Todas as outras deviam seguir as linhas mestras desta.
A feijoada de buzinas é de ir às lágrimas. Produto incrível, processamento genial. De vez em quando, há lulinhas fritas, a que os espanhóis chamam puntilhitas, e são divinais. Se houver pataniscas de bacalhau com arroz de tomate, não hesite em pedir, estão entre as melhores que alguma vez provei. A propósito, o bacalhau à Brás é cremoso, bem elaborado e cheio de sabor, o que nem sempre é o caso.

Os pratos de carne têm estrela especial na maravilhosa cabidela de galinha que a cozinha produz. Adoro o ossobuco à milanesa deste Mané. É preparado e processado com o máximo carinho e cuidado. Quando há favas, seja com sardinhas fritas ou entrecosto, é prato que nos põe a pairar, muito bem feito. As costeletas de vitela grelhadas na brasa são suculentas e saborosas. Também há costeletas de borrego, cortadas fininho e bem apaladadas. A carne de porco à alentejana encanta sempre e os lombinhos de porco são irresistíveis. O cozido à portuguesa que sai uma vez por semana é manjar de deuses.
Para terminar docemente, opte pelo fantástico pudim de ovos da casa. É tudo bom aqui no Mané, e incomparável. Grande templo de inspiração marítima, bandeira da terra.