
Depois do «porque no te callas», o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que ainda não sabe se vai encontrar-se com o Rei Juan Carlos, durante a sua visita oficial a Espanha.
Hugo Chávez parte segunda-feira para uma viagem diplomática à Europa que passará por Moscovo, Minsk, Lisboa e Madrid.
«Não estou certo se verei o Rei, porque está fora de Madrid. Pediu-me que o vá visitar onde está [na ilha de Maiorca], não sei se haverá tempo, mas estamos a coordenar as coisas», disse o Chefe de Estado venezuelano no seu programa dominical «Aló, presidente!».
Chávez rectificou o que tinha afirmado anteriormente e esclareceu que foi convidado para visitar Espanha pelo Governo de José Luis Rodríguez Zapatero, e não pelo antecessor, José María Aznar, como tinha afirmado.
Chávez destacou que o convite veio do próprio monarca e recordou o conflito recente entre ambos no encerramento da Cimeira Ibero-americana celebrada o ano passado no Chile.
Ficou famosa expressão do Rei, «Por que no te callas?», quando Chavez interrompia Rodríguez Zapatero que defendia Aznar das suas críticas.
«Terei muito gosto em dar um abraço ao Rei, mas sabes Juan Carlos, que eu não me calarei, continuaremos a falar por nós próprios, por um mundo de justos e iguais», disse, entre sorrisos, Chávez.
As relações entre Caracas e Madrid voltaram à normalidade em Maio último, quando Rodríguez Zapatero e Chávez se encontraram durante a Cimeira América Latina-União Europeia, no Peru.
Foi nesta altura que surgiu o convite da diplomacia espanhola, formalizado pessoalmente em Caracas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Miguel Ángel Moratinos.
Sobre a viagem à Europa, Hugo Chávez disse tratar de «uma viagem muito importante, estratégica, geopolítica diria eu, com o objectivo de continuar a potenciar a Venezuela», adiantou.
O presidente venezuelano realçou «a distribuição de gás natural nas cidades venezuelanas com apoio da Bielorrússia para diminuir o uso de gasolinas» e os «convénios de cooperação para habitação, alimentos e energia» que assinará com Portugal.
Chávez disse ainda que em Moscovo supervisionará um «sistema de tanques de guerra que a Venezuela poderá adquirir».
Segundo a imprensa russa e fontes do Kremlin, o Chefe de Estado venezuelano poderá concretizar vários negócios no valor de mil milhões de dólares, aos quais a Rússia concederia um crédito de 800 milhões.
Nos últimos anos, Caracas converteu-se no principal cliente da indústria militar russa na América latina, tendo já adquirido 24 caça-bombardeiros Sukhoi-30MK2, 50 helicópteros de distintos tipos e 100.000 espingarda Kaláshnikov AK-103.