"Como é que nós vivemos sem luz e água?" Crise energética desespera população em São Tomé e Príncipe

Créditos: TSF
O Governo assegura que chegarão geradores até final de janeiro
No centro da ruidosa cidade de São Tomé, o lamento de Mila é o de todos os santomenses. "O Estado tem de saber que a gente não tem luz!", diz, indignada, aos microfones da TSF. "Só quem tem gerador é que tem, eu já parti uma perna porque não havia luz e caí", lamenta-se. "Há muito problema aqui na cidade", resume. Com cortes energia diários, muitas vezes por longas horas, falha também a água.
"A água tamém vem dia sim, dia não, como é que nós vivemos sem água?", questiona desesperada.
É desta forma que a população de São Tomé e Príncipe vive há mais de seis meses. A crise energética não é nova no país, mas, desta vez, está a atingir uma situação limite e a deixar a população sem esperança. O problema intensificou-se quando a empresa turca de energia Tesla STP abandonou o território, depois de o Governo considerar que o contrato assinado pelo Executivo anterior era lesivo para o Estado santomense.

Na Avenida da Independência, Elsa, de 26 anos, leva vestida a camisola do Benfica, o clube do seu coração. É das poucas jovens que voltou para São Tomé depois de estudar fora do país. Conta à TSF que, na sua casa, a situação é idêntica.
"A luz vai por exemplo às 15h00 e só volta às 20h00. Depois muitas vezes não temos [eletricidade] desde a meia-noite até às 10h00", assegura, sublinhando que "este é um problema grave".
"Quando temos água, não temos luz, quando temos luz, não temos água", diz uma mulher que não se quer identificar. Não é, de facto, com facilidade que os santomenses falam à TSF. E quando falam, muitos não querem dizer o nome.
Depois de ter falhado a instalação de geradores antigos, doados pela Nigéria, mas que não funcionavam, o primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos, anunciou que espera ter novos equipamentos vindos da África do Sul até final do mês de janeiro. Mas, para a população, são muitas promessas para quem vive há demasiado tempo às escuras. Por isso, o santomense José, que trabalha na construção civil, espera para ver. "O Governo dá sempre esperança às pessoas, mas infelizmente não consegue cumprir os seus próprios deveres", lamenta.
* A TSF viajou até São Tomé e Príncipe a convite da Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP)