"Tenho o sonho de lá chegar, mas não tenho como." Sem oportunidades de trabalho, jovens de São Tomé e Príncipe pensam emigrar

Créditos: TSF
O país tem assistido à saída de muita população nos últimos anos
Em cima da sua mota parada no centro da cidade, José, 25 anos, confidencia um sonho: sair de São Tomé e Príncipe e chegar a Portugal. A falta de perspetivas de trabalho no país onde nasceu levam-no a querer deixar o arquipélago. "Há falta de condições financeiras, de emprego e o salário não ajuda", concretiza. Revela, em declarações à TSF, que tem amigos em Portugal.
"Tenho o sonho de lá chegar um dia, mas não tenho como", lamenta.
Em São Tomé e Principe, quase 90% da população já nasceu depois da independência do país e a população entre os 18 e 35 anos é a que mais emigra. O país tem perdido grande parte da sua mão de obra qualificada. No entanto, há ainda quem resista e queira ficar, como Moisés, 16 anos, que gostava de continuar a estudar e ajudar o país a desenvolver-se.
"Tenho amigos que dizem que, se depender deles, em qualquer oportunidade, saem", conta.
"Eu já lhes disse: 'Lá não é um mar de rosas, lá também tem os seus desafios'", adianta. "Lá" é no estrangeiro. Por isso, vai estudando o mais que pode. "Economia, informática e estou a aprender uma nova língua, o mandarim", explica.
Questionado sobre se pretender ir estudar para a China, um dos países que fornece bolsas de estudo aos santomenses, garante que, por enquanto, não está no seu horizonte. Gosta apenas de assistir a programas chineses e quer compreender a língua, assegura.
Elsa, uma jovem que passeia com o namorado na rua, ficou na China cinco anos a estudar direito. Regressou a São Tomé e Príncipe em 2024 e trabalha numa empresa chinesa que está no território a construir duas pontes no distrito de Lembá. "Quando cheguei da China apeteceu-me também não estar cá em São Tomé", admite. "Quando acabamos o curso lá fora, aqui não encontramos oportunidades e acabamos por emigrar para outro país", lamenta. No entanto, ficou.
Moisés também não quer sair de um país que tem menos de 200 mil habitantes e, que apesar de passar por dificuldades, precisa da ajuda dos mais qualificados. "Não tenho pressa para sair do país, tudo tem o seu tempo, não é ainda o tempo para sair de São Tomé", assegura.
* A TSF viajou para São Tomé e Príncipe a convite da Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP)