Demitir Fauci? "Não digam a ninguém, mas deixem-me esperar até depois da eleição..."

O Presidente dos EUA, Donald Trump
Mandel Ngan/AFP
Apoiantes de Trump pediram, durante um comício, a demissão do infecciologista norte-americano. E o Presidente dos EUA deixou a porta aberta a essa opção.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu demitir o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos da América, Anthony Fauci, depois de este ter criticado a resposta que tem sido dada à pandemia de Covid-19 no país.
Num comício de Trump, este domingo, na Flórida - que aconteceu durante a noite, violando o recolhimento obrigatório decretado para combater a pandemia -, ouviu-se gritar "Demite o Fauci!", conta a imprensa internacional.
Depois de deixar os seus apoiantes fazerem ecoar, por alguns segundos, estes gritos, pedindo a demissão do infecciologista, Trump respondeu: "Não digam a ninguém, mas deixem-me esperar até um bocadinho depois da eleição...".
Anthony Fauci é, há mais de três décadas, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas norte-americano. O especialista tem sido crítico do modo como a administração Trump tem respondido à pandemia de Covid-19.
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Numa entrevista recente ao Washington Post, Fauci defendeu que "todas as estrelas estão alinhadas no lugar errado" e que os EUA "não podiam estar pior posicionados" para lidar com a pandemia na entrada do outono/inverno.
Anthony Fauci afirmou também que Biden está "a levar a pandemia a sério, numa perspetiva de saúde pública", enquanto Trump "está a olhar para ela de uma perspetiva diferente... a da economia", e insistiu que os Estados Unidos têm de fazer "mudanças abruptas" em termos de Saúde.
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A Casa Branca não tardou a acusar o especialista em infecciologia de se "intrometer na política", dias antes das eleições presidenciais norte-americanas. O porta-voz da Casa Branca, Judd Deere, classificou as declarações de Fauci como "inaceitáveis"
Os Estados Unidos da América são o país com mais mortes por Covid-19 registadas a nível mundial, com mais 230 mil vítimas mortais e nove milhões de infetados