"Deslumbramento completo" na Antártida: a aventura de um português no fim do mundo

Foto: UKAHT/Tiago Figueiredo
Tiago Figueiredo é o primeiro português a trabalhar no posto de correios mais remoto do mundo, na Antártida. Rodeado de gelo, aproveita o "desligar" de que sentia falta na vida diária
Todos os dias são de "espanto e deslumbramento completo" para Tiago Figueiredo, um consultor empresarial português que vivia em Inglaterra. No dia a dia, ansiava por "desligar da rotina" e o objectivo foi atingido numa aventura que começou na Antártida há quase dois meses e meio.
Tiago integra a equipa da UKAHT (UK Antarctic Heritage Trust), uma associação britânica que, todos os anos, envia um grupo de exploradores para trabalhar e estudar a colónia de pinguins, no extremo sul do globo. Tiago é o primeiro português no posto de correios mais longínquo do mundo e cuida também do Museu da UKAHT, em Port Lockroy.

Desde Novembro, o explorador português colecciona álbuns com milhares de fotografias dos animais da Antártida. "A diversidade e a frequência dos encontros" com os animais foi o que mais o surpreendeu.
"Temos pinguins de três ou quatro espécies diferentes. Temos focas de quatro espécies diferentes que visitam ou que param aqui um bocadinho. Tivemos uma foca elefante aqui na ilha ao lado que teve dois bebés", conta à TSF.

São encontros inesquecíveis, "porque estes animais não têm qualquer conceito de que nós os possamos magoar ou lhes queremos fazer mal. Não fogem de nós. Eles olham para nós e ficam impávidos e serenos. É um deslumbramento e um espanto sempre", refere, a partir da casa em Port Lockroy, único local onde tem acesso à Internet.


Em Inglaterra, "saía de casa com a carteira, a mala, o telemóvel". Aqui, "são as luvas, o gorro, o telemóvel não faz falta absolutamente nenhuma porque só funciona dentro de casa". Um sentimento que define como "muito libertador e que levanta alguns receios", uma vez que, considera, "vai ser difícil voltar a habituar-se a esse dia a dia".

Tiago está na contagem decrescente da missão na Antártida. Vai regressar em Março e tenta aproveitar cada momento. "Começo a pensar se foi a última vez que vi uma baleia ou uma foca-leopardo. Estou ansioso por rever a família, mas não estou com pressa."

Durante a missão, Tiago Figuereiredo colocou a bandeira portuguesa no ponto mais remoto do sul do planeta. "A casa foi decorada com bandeiras portuguesas no meu dia de anos. E faço uns pratos portugueses de vez em quando", diz, além de falar muito de Portugal com o resto da equipa. No fim do mundo, o consultor empresarial destaca o "desligamento daquilo a que estamos habituados e isso acho que vou sentir falta no futuro", confessa.

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