Mais de 500 mortes por protestos no Irão levam ONU a apelar para "máxima moderação" das autoridades

Créditos: Martial Trezzini/Lusa
Além das vítimas, os protestos resultaram na detenção de 10.675 pessoas, incluindo 160 menores de idade e 52 estudantes
O secretário-geral da ONU apelou este domingo ao Irão para se "abster do uso da força desnecessária ou desproporcionada", após se terem ultrapassado as 500 mortes em protestos no país, que começaram há duas semanas contra a gestão económica.
António Guterres "está impactado pelos relatos de violência e uso excessivo da força das autoridades iranianas contra os manifestantes", o que resultou "em muitas mortes e muitos mais feridos nos últimos dias", indicou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, em comunicado.
"Todos os iranianos deveriam poder expressar as suas queixas pacificamente e sem medo. Os direitos à liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica, consagrados no direito internacional, devem ser plenamente respeitados e protegidos", declarou o porta-voz.
A organização civil Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, tinha anteriormente elevado para 538 o número de mortos em protestos no Irão, que começaram a 28 de dezembro devido à crise económica e que se têm registado em mais de 100 cidades do país persa.
Além das vítimas, os protestos resultaram na detenção de 10.675 pessoas, incluindo 160 menores de idade e 52 estudantes, de acordo com a HRANA.
Neste contexto, Guterres pediu "máxima moderação" às autoridades do Irão, onde não há internet nem cobertura de telemóvel há mais de 72 horas e escalaram os protestos contra a República Islâmica e o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
"Também urge passos que permitam aceder a informação no país, incluindo o restabelecimento das comunicações", lê-se na breve declaração da ONU.
Um vídeo, que foi publicado online pela primeira vez no sábado e cuja localização foi este domingo autenticada pela agência de notícias AFP, mostra dezenas de corpos empilhados à porta de uma morgue a sul de Teerão, que as ONG de defesa dos direitos humanos identificam como vítimas da repressão nos protestos no Irão.
As imagens, geolocalizadas na morgue de Kahrizak, a sul da capital iraniana, mostram dezenas de corpos envoltos em sacos pretos à porta do necrotério e o que parecem ser iranianos à procura dos seus entes queridos desaparecidos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, já disse que pondera novas ações militares contra o Irão devido à violência durante os protestos, segundo relatos de hoje da imprensa norte-americana.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que, em caso de ataque dos Estados Unidos, "tanto os territórios ocupados (de Israel) como todas as instalações, bases e navios militares" norte-americanos e israelitas na região "serão alvos legítimos".
