Protestos no Irão tornaram-se violentos "para dar uma desculpa" a Trump para intervir

Foto: Ramil Sitdikov/EPA
A alegação do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano surgiu num encontro com diplomatas estrangeiros em Teerão
O chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araghchi, disse esta segunda-feira que os protestos em todo o país "tornaram-se violentos e sangrentos para dar uma desculpa" para uma intervenção militar dos Estados Unidos.
A alegação do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano surgiu num encontro com diplomatas estrangeiros em Teerão e foi citada pela emissora Al Jazeera, financiada pelo Catar, que tem permissão para operar apesar do corte da internet no Irão.
Araghchi não apresentou provas para suportar esta alegação, mas garantiu que "a situação está sob controlo total" em todo o país, numa altura em que ativistas garantem que pelo menos 544 pessoas foram mortas - a grande maioria manifestantes.
"A República Islâmica do Irão não procura a guerra, mas está igualmente preparada para ela", disse o ministro durante a conferência, que ocorreu após ameaças de Donald Trump de intervenção militar para ajudar os manifestantes que protestam em todo o país.
"Estamos também prontos para negociações, mas estas devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo", afirmou ainda.
O corte da Internet decidido na quinta-feira pelas autoridades iranianas, devido aos protestos contra o Governo, permanece em vigor, disse hoje a organização não-governamental (ONG) de monitorização da cibersegurança Netblocks.
Os dados mostram que o corte da Internet se mantém há 84 horas no Irão, afirmou a ONG na rede social X.
Na quinta-feira, as autoridades cortaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto.
