
María Corina Machado
AFP
O diário norueguês Aftenposten afirmou que a lesão ocorreu durante uma travessia marítima de alto risco, quando o barco de pesca onde seguia foi golpeado por ondas altas
A líder da oposição venezuelana e laureada com o Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, sofreu uma fratura numa vértebra durante a sua viagem secreta para sair clandestinamente na Venezuela rumo à Noruega na semana passada, disse a sua porta-voz esta segunda-feira.
Machado havia declarado anteriormente que temia pela sua vida durante a perigosa viagem para receber o seu Nobel em Oslo. O diário norueguês Aftenposten explica que a lesão ocorreu durante uma travessia marítima de alto risco num pequeno barco de pesca, golpeado por ondas altas. "A fratura na vértebra está confirmada", disse a porta-voz de Machado, Claudia Macero.
"Para já, nenhuma informação adicional será divulgada além da que consta no artigo [do Aftenposten]", acrescentou. O jornal relatou que Machado foi examinada por médicos do Hospital Universitário de Oslo, em Ulleval. Após chegar a Oslo, nas primeiras horas de quinta-feira, a mulher de 58 anos disse em várias ocasiões que queria ver um médico, sem fornecer quaisquer detalhes médicos.
A líder da oposição venezuelana devia ter assistido à cerimónia do Prémio Nobel da Paz na capital norueguesa na quarta-feira, mas atrasou-se e não chegou a tempo. A sua fratura não a impediu de saltar uma barreira para cumprimentar os apoiantes à porta do seu hotel logo após a sua chegada, como testemunharam os jornalistas da AFP.
Machado acusou o presidente Nicolás Maduro de ter adulterado as eleições venezuelanas de julho de 2024, das quais foi banida - uma alegação apoiada por grande parte da comunidade internacional. Vivia escondida na Venezuela desde agosto de 2024, depois de desafiar o governo.
Caracas afirmou que a consideraria uma fugitiva se deixasse o país, e forneceu poucos detalhes sobre como conseguiu sair da Venezuela. Segundo os relatos, usou uma peruca e um disfarce para ir da capital até à costa norte e passou por dez postos de controlo sem ser apanhada.
Bryan Stern, que dirige uma organização de resgate sem fins lucrativos, afirma ter feito parte da equipa de extração que ajudou Machado a sair, numa operação apelidada de "Dinamite Dourada". Assim que chegou a terra, Machado embarcou num pequeno barco de pesca de madeira, escolhido para evitar levantar suspeitas ou correr o risco de ser alvo de ataques aéreos dos EUA contra barcos suspeitos de tráfico de droga.
O pequeno barco primeiro não ligou e depois perdeu o sinal de GPS. Foi então transferida, encharcada e a tremer de frio, para outro barco no mar, onde Stern a encontrou antes de embarcarem numa viagem de 13 a 14 horas. Este barco levou-a para Curaçau, onde embarcou num jato privado para Oslo, com uma breve escala nos Estados Unidos.
Machado disse à AFP na sexta-feira que temeu pela sua vida durante a viagem. "Houve momentos em que senti que havia um risco real para a minha vida, e foi também um momento muito espiritual porque, no final, simplesmente senti que estava nas mãos de Deus e que o que tivesse de ser, seria", disse aos repórteres em Oslo
