O fim da guerra do papel e caneta? Casa Branca obrigada a devolver credencial a Acosta

epa07149049 US President Donald J. Trump (R) reacts to a question from CNN reporter Jim Acosta (L) during a press conference in the East Room of the White House in Washington, DC, USA, 07 November 2018. Republicans expanded their majority in the Senate, but lost their majority in the House. EPA/ERIK S. LESSER
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Há quase duas semanas, Trump mandou calar Jim Acosta, iniciando uma guerra entre o jornalista, o presidente, a Casa Branca e a CNN. Esta segunda-feira, um tribunal decretou que a Casa Branca tem que devolver as credenciais a Acosta.
A Casa Branca devolveu, em definitivo, a credencial de imprensa ao repórter da CNN, Jim Acosta, terminando a luta entre o jornalista e a Administração norte-americana, que já tinha entretanto chegado aos tribunais.
A informação é avançada pela própria CNN, e surge três dias depois de um juiz de Washington ter ordenado à administração Trump que devolvesse temporariamente ao jornalista a autorização de acesso à Casa Branca.
Esta decisão contrasta com a intenção declarada numa carta emitida pela Casa Branca esta sexta-feira, na qual se lia que o acesso poderia ser retirado de novo a Acosta quando a decisão temporária deste juiz prescrevesse.
As altercações de 7 de novembro
Tudo começou quando, a 7 de novembro, Donald Trump e Jim Acosta se envolveram numa discussão durante uma conferência de imprensa na Casa Branca. O jornalista tentava fazer uma pergunta a Donald Trump quando o presidente dos Estados Unidos da América o mandou calar, acusando-o de espalhar "fake news". Horas depois, Jim Acosta perdeu com efeito imediato a acreditação de acesso à Casa Branca, anunciou o mesmo no Twitter.
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A discussão começou quando Jim Acosta fez uma pergunta sobre a caravana que se aproxima dos EUA, questionando o Presidente dos Estados Unidos se, pelo facto de se referir ao caso como uma "invasão", não era uma "demonização" dos migrantes.
"Honestamente devia deixar-me comandar o país e administrar a CNN. Se fizesse isso bem, as vossas audiências seriam muito melhores", atirou Trump em resposta.
Acosta tentou depois colocar uma pergunta sobre a investigação à alegada influência russa nas eleições de 2016, mas Trump recusou-se a responder.
"Basta!", repetiu várias vezes o chefe de Estado norte-americano, assegurando que "não estava preocupado com nada" porque a investigação era "uma farsa". Depois, pediu a uma assistente que retirasse o microfone ao jornalista.
"A CNN deveria ter vergonha de tê-lo a trabalhar para eles. É uma pessoa mal-educada terrível. Não devia estar a trabalhar para a CNN."
Quase uma semana depois do sucedido, a 13 de novembro, a CNN respondia. "Pedimos ao tribunal uma ordem de restrição imediata exigindo que as credenciais sejam devolvidas ao Jim", explicou a CNN em comunicado, acusando que as "ações da Casa Branca criaram um perigoso efeito inibidor para qualquer jornalista".
Ainda assim... quem manda é Trump
Na resposta à providência cautelar interposta pela CNN, a Casa Branca reservava-se o direito de escolher a quem atribui credenciais. O governo dos EUA considerou que "foi legal" a decisão de punir o jornalista da CNN Jim Acosta pelo seu comportamento.
Tribunal diz a Trump para devolver credenciais temporariamente
A 16 de novembro, um juiz de Washington deu razão à cadeia televisiva e devolveu, temporariamente, o passe de imprensa ao jornalista, avançava a agência Reuters.
Trump repete que quem manda é ele próprio
Já esta segunda-feira, e não satisfeito com a decisão do tribunal, Donald Trump decide que, assim que acabe o prazo da ordem do juiz, Acosta voltaria a ser banido. Numa carta ao jornalista da CNN, a Casa Branca informava-o de que logo que a decisão do juiz federal caducasse, ele seria de novo afastado da cobertura informativa da Casa Branca.
A credencial do jornalista foi, na noite desta segunda-feira, devolvida definitivamente a Jim Acosta, por ordem judicial.