
Thibault Camus/AFP
Donald Trump ameaçou a França com tarifas de 200% sobre os vinhos franceses para forçar o país a juntar-se ao Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, a que vai presidir
As ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor tarifas de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses são "inaceitáveis" e "ineficazes", classificou uma fonte próxima do Presidente francês, Emmanuel Macron, à AFP esta terça-feira.
"Ameaças tarifárias para influenciar a nossa política externa são inaceitáveis e ineficazes", declarou a mesma fonte, numa reação às ameaças de Trump após uma fonte próxima de Emmanuel Macron ter revelado à agência Reuters que o chefe de Estado francês vai recusar o convite de Trump para se juntar ao "Conselho de Paz".
Donald Trump ameaçou a França com tarifas de 200% sobre os vinhos franceses para forçar o país a juntar-se à sua iniciativa, que vai presidir.
Na segunda-feira, a França, que integra o Conselho de Segurança da ONU, reafirmou o seu "compromisso com a Carta da ONU", depois do convite.
"Tal como vários outros Estados, a França foi convidada pelos Estados Unidos a integrar o 'Conselho da Paz'. Em conjunto com os nossos parceiros próximos, estamos a examinar as disposições do texto proposto como base para este novo órgão, cujo âmbito vai além da situação em Gaza", enfatizou em comunicado o Ministério francês dos Negócios Estrangeiros.
"Reiteramos também o nosso compromisso com a Carta das Nações Unidas. Esta continua a ser a pedra basilar do multilateralismo eficaz, onde o direito internacional, a igualdade soberana dos Estados e a resolução pacífica dos litígios prevalecem sobre a arbitrariedade, as lutas pelo poder e a guerra", acrescentou o ministério, sem acrescentar mais detalhes.
Trump divulgou na sexta-feira a composição do Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, a que vai presidir, e que inclui o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, e o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair.
O enviado especial norte-americano Steve Witkoff também fará parte do órgão, assim como o genro de Trump, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
Sabe-se ainda que Trump convidou o rei Abdullah II da Jordânia, os Presidentes turco, Recep Tayyip Erdogan, e argentino, Javier Milei, e os primeiros-ministros paquistanês, Shehbaz Sharif, e indiano, Narendra Modi.
O conselho faz parte da segunda fase do plano de paz de Trump, que prevê a formação de uma administração de tecnocratas em Gaza e o desarmamento do grupo extremista Hamas, que governa o enclave palestiniano desde 2007.
A Casa Branca disse que durante o Fórum de Davos na Suíça, em que Trump participa ao longo desta a semana, será revelada mais informação sobre os países que vão integrar a Força Internacional de Estabilização para Gaza.
Trata-se de um contingente da ONU destinado a garantir a segurança e a desmilitarização de Gaza, tal como estipula o plano de paz de Trump.
O plano destina-se a pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas iniciada em outubro de 2023, após um ataque do grupo extremista em solo israelita, que causou dezenas de milhares de mortos e a destruição do território.
