Trump retira 700 agentes federais do Minnesota após autoridades concordarem em cooperar

Créditos: Stephen Maturen/Getty Images/AFP
Atualmente, cerca de três mil agentes federais estão destacados no estado
A administração norte-americana vai retirar do Minnesota cerca de 700 agentes federais, mais de um quinto dos destacados para a operação anti-imigração, anunciou esta quarta-feira o "czar da fronteira", Tom Homan.
O enviado do Presidente Donald Trump adiantou, em conferência de imprensa, que a decisão surge depois de as autoridades estaduais e locais terem concordado em cooperar, entregando imigrantes detidos.
"Dado este aumento da colaboração sem precedentes, e como resultado da necessidade de menos agentes de segurança pública para realizar este trabalho e de um ambiente mais seguro, anuncio, com efeito imediato, que retiraremos 700 pessoas com efeito a partir de hoje [esta quarta-feira] - 700 agentes da lei", disse Homan, durante a conferência de imprensa.
Atualmente, cerca de três mil agentes federais estão destacados no estado do Minnesota, cujo governador, o democrata Tim Waltz, tem reiteradamente pedido o fim desta operação.
Homan tinha admitido na semana passada reduzir o número de agentes federais no Minnesota, mas apenas se as autoridades estaduais e locais cooperassem.
Esta posição surgiu depois de o Presidente Donald Trump parecer sinalizar uma intenção de aliviar as tensões na área de Minneapolis e St. Paul.
Homan pediu que as prisões alertem o Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) sobre reclusos que poderiam ser deportados, afirmando que transferir essas pessoas para a agência é mais seguro porque significa que menos agentes têm de andar à procura de imigrantes que estejam de forma ilegal no país.
A Casa Branca (presidência norte-americana) há muito que atribui os problemas de detenção de imigrantes criminosos a locais conhecidos como jurisdições santuário, um termo geralmente aplicado a governos estaduais e locais que limitam a cooperação das forças da lei com o Departamento de Segurança Interna (equivalente ao Ministério da Administração Interna).
Sobre a operação no Minnesota, que classificou como "um sucesso", Homan apontou " progressos significativos", acrescentando que os agentes federais detiveram 139 pessoas condenadas por agressão, 87 agressores sexuais e 28 membros de gangues.
"Acabei de listar várias pessoas que tirámos das ruas das Twin Cities [Minneapolis-St. Paul], por isso acho que é muito eficaz no que toca à segurança pública", disse Homan.
"Foi uma operação perfeita? Não. Não. Criámos uma cadeia de comando unificada para garantir que todos estão alinhados e certificarmo-nos de que seguimos as regras. Não acho que ninguém, de propósito, não tenha feito algo que devia ter feito", comentou.
Homan, que recebeu o nome de "czar da fronteira" por ser o responsável pela aplicação das políticas de anti-imigração durante o primeiro mandato de Trump, prometeu ainda que não irá sair até que "tudo acabe" em termos de política de imigração nesta cidade do norte dos Estados Unidos.
Tom Homan foi diretor interino do ICE entre janeiro de 2017 e junho de 2018, e também trabalhou na área de controlo de fronteiras durante a presidência do democrata Barack Obama.
Durante semanas, milhares de agentes da polícia federal, incluindo agentes armados e muitas vezes mascarados, têm feito buscas na área de Minneapolis para deter pessoas indocumentadas, um objetivo prioritário do Presidente norte-americano.
Os métodos dos elementos do ICE, considerados brutais, assim como as mortes de Renée Good e Alex Pretti, dois cidadãos norte-americanos mortos a tiro por agentes federais em Minneapolis, causaram uma forte emoção no país.
